Relação de troca: uma constante preocupação do recriador

A relação de troca está mais apertada nos últimos anos para o pecuarista, com a demanda por animais para reposição (sistemas de recria e engorda) crescendo mais que a oferta de bezerros.

Não é rara a observação, por parte de pecuaristas que estão há mais tempo na atividade, de que a pecuária já foi mais fácil.

Mesmo que não tenha sido externado, esse raciocínio já deve ter passado por praticamente todas as “cabeças” que estão na pecuária há algumas décadas. 

Um dos principais motivos para esse sentimento é a relação de troca com reposição, que tem apertado as contas do recriador e invernista.

A título de comparação, na década de 1980, o produtor vendia o boi gordo e destinava o equivalente a 5,4@ dessa receita com o animal terminado para a reposição de um bezerro, considerando o animal de 12 meses.

É difícil atribuir a uma causa específica determinado comportamento do mercado, sem estar “arredondando” demais o raciocínio, mas o uso de tecnologia, em geral, aumentou mais na recria e engorda nas últimas décadas, enquanto a cria evoluiu de maneira mais lenta. Com isso, a demanda por reposição para sistemas de recria e engorda mais eficientes cresceu mais que a oferta de bezerros.  

Obviamente, a cria não está parada, o aumento do uso de tecnologias reprodutivas, Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), melhoramento genético, entre outros, tem colaborado com sua evolução. De toda forma, a valorização do bezerro frente ao boi gordo apresenta uma equação mais apertada de oferta e demanda por bezerros. Veja a figura 1.

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Figura 1. Arrobas de boi gordo necessárias para a aquisição de um bezerro de 12 meses e médias das décadas.

relação de troca
Fonte: IEA / Cepea / Scot Consultoria

Enquanto na metade da década de 1980, com 5,4 arrobas de boi gordo era possível comprar um bezerro de ano, na década de 1990 esse valor passou para 7,1 e, em seguida, para 7,8 de 2000 a 2009. Entre 2010 e 2019, a média foi de 8,7 arrobas de boi gordo e, em 2020, essa relação está em 10,4 arrobas de boi por bezerro, considerando o período de janeiro a julho.

Como estamos na fase de pouca oferta de bezerros e esse último valor é a média de apenas sete meses – frente a uma década para as demais –, este último parâmetro tem muito o que mudar ao longo da próxima década. Esperamos uma maior oferta de bezerros nos próximos anos, com a retenção de fêmeas, influenciada pelos preços da cria em alta. Isso tende a colaborar com a relação troca.

Ainda assim, não é esperada uma mudança da tendência que vem sendo observada e a reposição, embora possa ter algum alívio, deve continuar pesando nos custos.  

A intensificação da pecuária

Esta análise da relação de troca tem por objetivo apresentar em números o cenário que o produtor já sente no bolso há muito tempo.

E o que pode, na verdade, o que deve ser feito a esse respeito? Otimizar a produção, usar de maneira mais eficiente os recursos produtivos e financeiros.

Se o bezerro está relativamente mais caro, e está, como foi apresentado, a saída para a manutenção de resultados na atividade é utilizar melhor essa matéria-prima mais “cara”, seja colocando mais peso na carcaça, reduzindo a idade ao abate, aumentando lotação, ou uma associação desses itens.

Não há receita de bolo que sirva para todos os casos. A análise da estratégia de intensificação deve ser feita segundo a realidade e possibilidades de cada caso, porém a pecuária mudou e apenas deixar o gado no pasto não resolve mais.    

Autor: Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

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