Safra 2020/2021 e impactos no mercado de milho e farelo de soja em 2021

O clima segue no radar e, em algumas regiões, os volumes de chuva até então foram abaixo da média; se persistir a estiagem, é possível que haja revisão para baixo no volume de milho e soja a ser colhido em 2021

A semeadura do milho e da soja 2020/21 (safra de verão ou primeira safra) foi concluída nas principais regiões produtoras do país.

Entretanto, destacamos os atrasos das chuvas no início da estação chuvosa neste ano (setembro/outubro), que atrasaram o plantio em boa parte do Brasil Central e no Centro-Sul do país.

Leia mais no artigo sobre os atrasos das chuvas neste ano e reflexos sobre a semeadura dos grãos (safra 2020/21).

Desde meados de novembro, as chuvas estão mais regulares e mais bem distribuídas pelo país, mas, em algumas regiões, o volume segue bem abaixo da média histórica para o período, o que mantém o clima e a situação das lavouras em alerta.

A colheita de milho e soja (safra de verão) deverá começar no fim de janeiro de 2021, mas, devido aos atrasos na semeadura, a expectativa é de que o ritmo dos trabalhos ganhe força em meados de fevereiro.

Expectativas para a soja 2020/21

No caso da soja em grão, temos uma safra com potencial recorde em termos de produção no ciclo atual (2020/21), mas é importante destacar as revisões para baixo na produtividade e, consequentemente, na produção nos últimos meses diante do clima mais adverso nesta temporada.

No relatório divulgado em dezembro de  2020, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo a área semeada e a produtividade média das lavouras no país, em 0,2%, ambas, em relação ao relatório anterior, divulgado em novembro último.

Já na comparação com a safra passada (2019/20), a área com a cultura cresceu 3,3% na temporada atual e o rendimento médio deverá ser 4,2% maior neste ciclo. O plantio da soja está praticamente concluído no Brasil Central e no Centro-Sul do país.

A produção está estimada em 134,45 milhões de toneladas em 2020/21, volume 0,4% menor que o estimado anteriormente, mas 7,7% ou 9,60 milhões de toneladas a mais que as 124,84 milhões de toneladas colhidas em 2019/20, recorde até então.

Para 2021, caso haja revisões mais acentuadas na produção esperada no Brasil, podemos ter um cenário de retomada da firmeza dos preços da soja em grão nas primeiras semanas de 2021, que poderá perdurar até meados de fevereiro/março, quando a oferta interna começa a aumentar com mais força devido ao avanço da colheita no país.

No caso do farelo de soja, os preços tendem a acompanhar o cenário descrito para o grão. Destacamos, no entanto, que os meses de fevereiro a abril são de aumento dos esmagamentos da soja em grão e, consequentemente, de maior oferta de farelo de soja no mercado interno. Nesse momento, podem aparecer oportunidades de compra para o pecuarista adquirir o insumo.

E para o milho?

Para o milho de primeira safra (safra de verão), houve revisão de 0,1% para baixo na área semeada em 2020/21 em relação ao relatório anterior. Já a produtividade média caiu 8,6% em relação à previsão anterior, em função do clima adverso (falta de chuvas) no Sul do país em novembro, principalmente (Conab).

O país deverá colher 24,19 milhões de toneladas de milho na primeira safra, 8,7% menos na comparação com a estimativa de novembro e 5,8% menos que o colhido na primeira safra passada (2019/20).

As revisões para baixo nas produtividades médias das lavouras no país e na produção esperada na safra de verão podem dar sustentação aos preços no mercado interno nas primeiras semanas de 2021.

O clima será fundamental também para a segunda safra de milho ou milho de inverno no país, que é a principal em termos de volume (pouco mais de 70% do total).

Nesse caso, devido aos atrasos na semeadura e na colheita da safra de verão, é esperado um estreitamento da janela de plantio do cereal na segunda safra.

Além do clima, outro ponto importante é o câmbio, que terá papel fundamental na precificação das commodities neste fim de 2020 e nos primeiros meses de 2021.

Em resumo, o câmbio deverá dar um alívio aos preços do milho e farelo de soja em 2021, mas o clima segue no radar, pois qualquer contrariedade com relação ao tempo poderá ser fator de sustentação das cotações, em especial no primeiro semestre, quando a oferta interna é menor: basicamente, o estoque de passagem mais o que será colhido na safra de verão ou na primeira safra.

De qualquer maneira, apesar da menor pressão sobre as cotações, a expectativa é de patamares elevados de preços para os insumos em questão.

Além do clima e das preocupações com a produção, do lado da demanda interna e das exportações de milho e farelo de soja, as expectativas são positivas para 2021, o que deverá colaborar para esse cenário.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista, msc.
Scot Consultoria

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