Safra e pressão de baixa no mercado do leite

Além do aumento da produção, o final de ano e o começo de ano são períodos de demanda mais fraca por leite fluido e leite em pó.

Com as chuvas mais regulares no Brasil Central e região Sudeste a partir de novembro, as condições das pastagens melhoraram, refletindo em aumento no volume de leite captado pelos laticínios. A expectativa é de que o pico de produção de leite nessas regiões ocorra em dezembro/2020 ou janeiro/2021.

Do lado da demanda, destacamos as dificuldades de escoamento na ponta final da cadeia desde meados de outubro, devido aos patamares elevados de preços dos produtos lácteos no mercado interno e à redução dos auxílios emergenciais. No mais, o final de ano e o começo de ano são períodos típicos de queda na demanda por leites fluidos (longa vida e pasteurizado) e leite em pó, em função das festas e férias.

Para o último bimestre deste ano, portanto, diante de um cenário menos concorrido entre as indústrias de laticínios (safra e enfraquecimento da demanda), o viés é de baixa no mercado de leite.

Para o pagamento de novembro, referente à produção entregue em outubro último, a estimativa é a de que os preços caiam entre 5,0% e 7,0% na comparação mensal, segundo dados parciais.

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Essa queda prevista colocará fim ao movimento de fortes altas nos preços aos produtores nos últimos cinco pagamentos, que somaram 26,1%, considerando a média nacional dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria. Os aumentos ocorreram devido à demanda firme até então, com os auxílios emergenciais, e produção mais ajustada devido aos atrasos nas chuvas e aumento dos custos de produção.

Figura 1.
Preços médios do leite pago ao produtor (bonificação por qualidade e volume), média dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria, em R$ por litro, sem o frete.

* Estimativa
Fonte: Scot Consultoria

A expectativa é de preços mais frouxos no mercado de leite e derivados até fevereiro/março de 2021, quando a produção começa a diminuir nas principais bacias leiteiras do país (início da entressafra).

De qualquer forma, é importante seguir monitorando as questões climáticas, especialmente no sul do país, pela falta de chuvas, e também os custos de produção da atividade leiteira em alta, que são fatores que podem impactar negativamente a produção de leite nos próximos meses, o que poderia diminuir a pressão de baixa sobre o preço pago ao produtor em plena safra.

E quais são as expectativas do mercado leiteiro para 2021?

Para 2021, a expectativa é de manutenção dos custos de produção, da pecuária leiteira em alta, sustentados pelos alimentos concentrados (milho, farelo de soja, etc.).

Do lado da demanda, os pontos de atenção são aqueles em relação aos reflexos da pandemia e questões econômicas, como o desemprego e a queda na renda da população. É preciso atenção também no que se refere ao consumo interno de lácteos, principalmente os produtos de maior valor agregado.

Já com relação à produção de leite no país, além dos custos de produção em patamares elevados, o clima adverso (atrasos nas chuvas e previsão de veranicos) deverá impactar mais negativamente.

Dessa forma, a oferta mais ajustada é um fator positivo para os preços do leite ao produtor, mas, por outro lado, a demanda interna poderá ser prejudicada, diminuindo a concorrência entre as indústrias pela matéria-prima.

Ou seja, 2021 será mais um ano de cautela e margens pressionadas no mercado de leite, exigindo mais profissionalismo, eficiência, planejamento e estratégias dos pecuaristas e técnicos.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista, msc.
Scot Consultoria

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