Saiba a importância do controle de plantas daninhas nas pastagens

Objetivo é diminuir a competição com o capim, favorecendo a pastagem e o desempenho animal

Segundo informações da Embrapa, pelo menos 95% dos bovinos no Brasil são criados em pastagens. Comparado com o confinamento, o sistema de produção em pasto possui como vantagem um custo menor de produção. Contudo, há muitos cuidados que devem ser tomados para o bom desenvolvimento do capim e do desempenho animal.

Os pontos de atenção incluem as operações, desde análise de solo e escolha da espécie forrageira até semeadura, adubação, controle das plantas daninhas e manejo correto da área (altura de pastejo e taxa de lotação).

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Neste artigo focaremos no controle das plantas daninhas nas pastagens, destacando a importância dessa ação e formas de controle e trazendo uma visão científica sobre os resultados do controle das plantas daninhas nas áreas de produção pecuária.

Plantas daninhas x pastagem

Algumas espécies de plantas daninhas interferem no crescimento, desenvolvimento e produtividade das pastagens, uma vez que competem por água, nutrientes e luz. Vale ressaltar que os animais tendem a optar pelas plantas mais palatáveis e, por isso, em alguns casos, a ingestão das plantas daninhas pode ser favorecida.

Essa competição reflete diretamente em queda da produção de massa verde e na qualidade da pastagem (valor nutricional). Consequentemente, há prejuízos ao desempenho animal, ou seja, na produção de carne e/ou leite.

Confira aqui as 10 espécies que mais afetam a qualidade do pasto.

O grau de infestação e a intensidade da sua interferência no desenvolvimento da pastagem cultivada vão depender de diversos fatores, como a composição específica, densidade e distribuição da espécie infestante, e de fatores ligados à espécie forrageira, como espécie, espaçamento e densidade de semeadura.

Formas de controle

As formas de controle das plantas daninhas são:

  1. controle preventivo, que contempla práticas para prevenção de introdução, desenvolvimento e/ou disseminação das infestantes;
  2. controle mecânico ou físico, sendo a roçada a prática mais comum, podendo ser manual ou mecânica;
  3. controle químico, que deve ter seletividade para a espécie infestante;
  4. ou mesmo a integração de dois ou mais métodos.

O controle químico é o mais utilizado devido ao seu custo baixo e alta eficiência, mas ele deve ser realizado de maneira estratégica. Em sua aplicação, pode ser utilizado um tipo de produto ou uma mistura (no caso de várias espécies infestantes), sendo mais eficaz durante a estação chuvosa, pois a água disponível no solo, aliada ao intenso desenvolvimento das plantas daninhas, favorece a absorção do herbicida. Atualmente, é possível se utilizar de técnicas e tecnologia da agricultura de precisão para otimizar a aplicação desses produtos de acordo com as diferentes densidades de infestações em um mesmo terreno.

Leia Mais: Cuidados e checklist para aplicação de herbicidas

Qual é a visão científica?

A seguir, alguns resultados de trabalhos científicos a respeito das infestações de plantas daninhas nas pastagens e na produção animal.

Segundo Smith e Martin (1995), há uma relação inversamente proporcional de produção de plantas forrageiras e plantas infestantes.

Caso não seja manejado adequadamente, o desenvolvimento de plantas daninhas pode resultar no aumento do tempo de formação das pastagens, devido ao desvio de nutrientes, água e luz. Desse modo, a capacidade máxima de forragem é reduzida, sendo necessário utilizar uma menor taxa de lotação (CAÇADOR, 2007). Além disso, há espécies que possuem estruturas que podem ferir ou incomodar, como espinhos e acúleos (TUFFI SANTOS et al., 2004).

Certas plantas podem produzir compostos químicos de ação tóxica, podendo ocasionar a morte de animais em casos extremos (BARBOSA et al., 2007; MELLO et al., 2010).

Brighenti e Oliveira (2011) relatam que a ingestão de algumas plantas daninhas pode conferir gosto desagradável ao leite de animais em lactação.

Em relação aos custos, Ferrel e Mullahey (2006) utilizaram um herbicida em pós-emergência, resultando em um controle superior a 90% da infestação e um custo favorável em situações nas quais pelo menos 50% do pasto não está infestada.

Além disso, a qualidade nutricional das plantas forrageiras é prejudicada quando há infestação por plantas daninhas, apresentando um maior teor de fibras não digestíveis (LOURENÇO, 2017). O desenvolvimento de plantas daninhas também leva à degradação da pastagem, sendo necessários altos investimentos com reforma ou recuperação das pastagens (PEREIRA et al, 2011).

Considerações finais

A infestação de plantas daninhas tem vários impactos sobre as pastagens e o controle delas é essencial para o sucesso da atividade pecuária de corte e leite.

Aqui no Pasto Extraordinário, já listamos alguns artigos que trarão mais informações específicas sobre o controle de plantas daninhas como as do gênero Sida, a cheirosa e a pata-de-vaca.

Como opção para o controle dessas plantas daninhas em pastagens, o pecuarista pode dispor da eficiência da Tecnologia Ultra-S, a nova tecnologia para herbicidas da Linha Pastagem, da Corteva Agriscience. A solução é indicada para o controle das plantas daninhas anuais, bianuais e herbáceas. Entre elas, estão a cheirosa, a guanxuma e o fedegoso-branco.

Os produtos da linha Ultra-S ainda apresentam a vantagem de serem mais concentrados, rendendo mais por hectare tratado com cada litro de produto do que os demais herbicidas do mercado. Tal fato gera economia de embalagens e traz benefícios sustentáveis para a pecuária brasileira. 

Saiba mais sobre a Tecnologia Ultra-S: menor na dose, gigante no rendimento.


Referências bibliográficas
BARBOSA, R. R.; SILVA, I. P.; RIBEIRO FILHO, M. R.; SOTO-BLANCO, B. Plantas tóxicas de interesse pecuário: importância e formas de estudo. Acta Veterinária Brasilica, v. 1, n. 1, p. 1-7, 2007.

BRIGHENTI, A. M.; OLIVEIRA, M. F. Biologia de plantas daninhas. Embrapa Milho e Sorgo-Capítulo em livro científico (ALICE), 2011.

CAÇADOR, S. S. Controle de plantas invasoras em pastagens. I 1111 IID, p. 1123, 2007.

CORREIA, N. M.; KRONKA JR, B. Eficácia de herbicidas aplicados nas épocas seca e úmida para o controle de Euphorbia heterophylla na cultura da cana-de-açúcar. Planta daninha, v. 28, n. 4, p. 853-863, 2010.

FERRELL, J. A.; MULLAHEY, J. J. Effect of mowing and hexazinone application on giant smutgrass (Sporobolus indicus var. pyramidalis) control. Weed Technology, v. 20, n. 1, p. 90-94, 2006.

LOURENÇO, et al. Interferência de plantas daninhas no estabelecimento de Urochloa ruziziensis. 2017.

MELLO, G. W. S.; OLIVEIRA, D. M.; CARVALHO, C. J. S.; PIRES, L. V.; COSTA, F. A. L.; RIET-CORREA, F.; SILVA, S. M. M. Plantas tóxicas para ruminantes e equídeos no norte piauiense. Pesquisa Veterinária Brasileira, Rio de Janeiro, v. 30, n. 1, p. 1-9, jan. 2010.

PEREIRA, F.; VERZIGNASSI, J. R.; ARIAS, E. R. A.; DE CARVALHO, F. T.; SILVA, A. P. Controle de plantas daninhas em pastagens. Embrapa Gado de Corte-Documentos (INFOTECA-E), 2011.

SMITH, A. E.; MARTIN, L. D. Weed management systems for pasture and hay crops. In: Smith, A.E. Handbook of weed management systems. New York, 1995.

TUFFI SANTOS, L. D.; SANTOS, I. C.; OLIVEIRA, C. H.; SANTOS, M. V.; FERREIRA, F. A.; QUEIROZ, D. S. Levantamento fitossociológico em pastagens degradadas sob condição de várzea. Planta Daninha, Viçosa, MG, v. 22, n. 3, p. 343-349, jul./set. 2004.

VICTÓRIA FILHO, R.; NETO, A.L.; PELISSARI, A.; Reis, F.C.; DALTRO, F.P. Manejo sustentável de plantas daninhas em pastagens. In: Monquero, P.A. Manejo de plantas daninhas em culturas agrícolas. São Carlos/SP: RiMa, cap.5, p. 179-207, 2014.

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