Sistema de integração lavoura-pecuária melhora produtividade de forma sustentável

Regiões que só tinham pasto agora conseguem plantar de forma eficiente e preservando o meio ambiente

Nos últimos 20 anos, o cenário agropecuário do noroeste do Paraná tem entrado com força na disputa pelos melhores resultados da produção de grãos do estado. A região possui limitações de solo e clima que, até o ano de 2000, tornavam a paisagem local dominada pelos pastos. Graças à adoção do sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), atualmente há produtores atingindo resultados próximos aos mais elevados do país e ainda conservando até 10% de carbono no solo.

A ILP é uma estratégia que inclui mais de um sistema produtivo na mesma área, com o objetivo de otimizar o uso da terra e aumentar a produtividade, preservando o meio ambiente.

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A fazenda Santa Felicidade, localizada no município de Maria Helena, Paraná, é um exemplo prático do sucesso da ILP. Nas últimas 12 safras, alcançou média de produtividade de soja de 2.975 kg/ha, números próximos à média dos últimos dez anos no Paraná, que é de três mil quilos por hectare, um dos mais altos do Brasil. A propriedade possui 312 hectares que são ocupados com a cultura de soja no verão e pastagem anual de inverno ou com pastagem perene. Nos últimos 12 anos, está sendo utilizado o modelo que intercala o cultivo de duas safras de soja com dois anos de pastagem perene.

O pesquisador Júlio Franchini, da Embrapa Soja, explicou que a inserção da soja no sistema após a manutenção da pastagem perene se justifica pela perda de produtividade da forragem depois do segundo ano de uso. Entretanto, a implantação de pastagem perene após duas safras de soja é justificada pela redução da qualidade física do solo depois do segundo ano de cultivo do grão. “Nesse contexto, esse modelo de produção vem demonstrando vantagens operacionais, econômicas e ambientais, contribuindo para a sustentabilidade do sistema”, afirmou Franchini.

Melhora expressiva da pecuária da fazenda

O destaque dos resultados proporcionados pela ILP da fazenda Santa Felicidade está na melhora da qualidade da pecuária. Cada animal da propriedade teve de 0,65 kg a 1 kg de ganho de peso por dia, utilizando-se lotação média de quatro unidades animal (UA) por hectare. 

De acordo com a Embrapa, a média de lotação de bovinos em 45 municípios no noroeste do Paraná é de 1,2 UA/ha enquanto em outros 62 municípios do estado a média de lotação é de 1,7 UA/ha. “Em termos de produtividade animal, são comuns as fazendas de pecuária de corte que não conseguem obter mais do que 150 kg de ganho de peso vivo por hectare por ano, praticamente inviabilizando a atividade”, destacou Franchini.

Produtividade sustentável

Uma das principais vantagens do sistema de ILP é a constância de produção forrageira, pois permite menor variação entre as estações do ano. Na fazenda Santa Felicidade, metade da área total cultivada é ocupada com pastagens durante a primavera/verão. No outono/inverno, época de menor produção forrageira, toda área cultivada é ocupada com pastagens, garantindo o fornecimento de forragem para os animais.

A Embrapa realizou, a partir da adoção da ILP, análises químicas de solo anuais nas profundidades de 0 a 20 cm e de 20 cm a 40 cm, nas quais foram observados aumentos nos teores de nutrientes e no estoque de carbono orgânico do solo nas duas camadas desvendadas. “Isso é particularmente importante, uma vez que o sistema preconiza a formação de perfil de solo com alta fertilidade, a fim de promover elevado crescimento de raízes em profundidade para tolerar eventuais veranicos”, explicou o pesquisador da Embrapa Henrique Debiasi.

O pesquisador contou que, por causa das altas temperatura do noroeste do Paraná, o fundamental é a formação de um pool de matéria orgânica transitório. Isso traz benefícios como a conservação de nutrientes e de água pela redução de temperatura na superfície. Esse reservatório de matéria orgânica precisa ser abastecido continuamente, pois a sua persistência é muito baixa nas condições de alta temperatura e baixo teor de argila dos solos da região.

ILP e IPF potencializam resultados

A fazenda Haras Terra Boa, no município de Araputanga, em Mato Grosso, é um exemplo bem-sucedido de ILP na prática, mas também utiliza o sistema de Integração Pecuária-Floresta (IPF).

O pesquisador da Embrapa Solos, Renato Rodrigues, explicou que no sistema de IPF as árvores trazem conforto térmico para o gado, tanto no calor quanto no frio, pois evitam geadas e protegem do vento. A diversificação de culturas muda a dinâmica de pragas, doenças e plantas daninhas, favorecendo o manejo do sistema.

O gestor da propriedade, Gilberto Perin, explicou que a fazenda possui atualmente metade da sua extensão em sistema ILP e a outra em IPF. Por dois anos, o plantio é de milho, e no terceiro ano são plantados milho com capim. A partir do quarto ano, os bovinos pastejam no sistema rotacionado, no qual as áreas são divididas em piquetes que são submetidos a períodos alternados de pastejo e descanso.

Haras Terra Boa

A produção nos três primeiros anos é, em média, de 120 sacas de milho por hectare. “Produzimos até 7 arrobas por hectare ano, enquanto a teca (árvore) desenvolve”, afirmou Perin sobre os resultados do gado.

O gestor explicou que o Haras Terra Boa possui 4.500 hectares que são divididos em três áreas, e cada ano uma área é trabalhada. “Sempre cuidamos da adubação, pensando na qualidade do capim”, explicou Gilberto. Quando o milho é colhido, fica o capim de excelente qualidade, no qual as vacas em fase de reprodução são colocadas. “Conseguimos um aumento de fertilidade das vacas de 10% a 12% no começo da safra graças à qualidade do capim” comemorou Perin.

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