Sistema desenvolvido pela Embrapa permitirá o monitoramento da expansão sustentável da agricultura nacional

A novidade poderá contribuir com a contabilidade da redução das emissões de gases do efeito estufa na pecuária brasileira

Um novo sistema de monitoramento desenvolvido pela Embrapa e parceiros permitirá o mapeamento das áreas com sistemas integrados de produção agropecuária. Ele fornecerá dados e indicadores quantitativos anuais sobre a adoção desses sistemas de produção, possibilitando o monitoramento da expansão e da intensificação da atividade agrícola sustentável no Brasil. Além disso, as informações poderão contribuir com o inventário das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) na agropecuária brasileira.

Existem diferentes sistemas que utilizam imagens de satélite para o monitoramento do uso da terra, mas o diferencial do Sistema GeoABC, desenvolvido pela Embrapa, é que este detecta sistemas integrados de produção que se caracterizam por terem elementos de lavoura, pecuária e reflorestamento na mesma área, ao mesmo tempo ou em sucessão ou rotação. Segundo Margareth Simões, pesquisadora da Embrapa Solos (RJ) que liderou o Projeto GeoABC, esse foi o grande desafio do projeto, uma vez que os sistemas integrados são alvos difíceis de serem detectados, pois os produtores podem utilizar diversas estratégias e práticas agrícolas.

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“Esta iniciativa é inédita, pois não existia, até o momento, nenhum sistema com esse propósito específico”, afirma Patrick Kuchler, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que participou do desenvolvimento da metodologia.

A metodologia já foi utilizada, na etapa de desenvolvimento, no estado do Mato Grosso, onde foi realizado o monitoramento dos sistemas de duplo cultivo (soja-cereais e soja-algodão) e com integração lavoura-pecuária (ILP). Agora os pesquisadores estão ajustando a metodologia para incluir o monitoramento das demais modalidades de sistemas: Integração lavoura-floresta (ILF), integração pecuária-floresta (IPF), integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e o plantio direto (SPD). “O intuito é criar protocolos metodológicos que farão parte de um sistema capaz de analisar automaticamente imagens de satélite, baseados em inteligência artificial, fornecendo dados atualizados sobre a adoção dos sistemas sustentáveis de produção”, salienta Simões.

Os dados gerados servirão para múltiplos propósitos, como a gestão de políticas públicas setoriais, o monitoramento da adoção dessas tecnologias sustentáveis e para a estimativa da mitigação das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) na agropecuária nacional. As informações poderão atender, ainda, às plataformas de disponibilização de dados agroambientais, como o Observatório da Agropecuária Brasileira (MAPA) e o Programa Nacional de Solos do Brasil (PRONASOLOS).

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Sistemas sustentáveis

De acordo com Rodrigo Ferraz, pesquisador da Embrapa Solos que participou do projeto, a agropecuária nacional está passando por um processo de intensificação sustentável. Segundo ele, a adoção de sistemas sustentáveis de alto rendimento está crescendo. Além disso, nota-se a expansão das áreas com duplo cultivo, seja safra/safrinha de verão ou safra verão/inverno, a adoção do Plantio Direto (SPD), a recuperação de pastagens em apoio a uma pecuária de alta performance e uma enorme adesão aos sistemas integrados de produção agropecuária em todas as suas variações.

Entretanto, devido à falta de métodos capazes de fornecer informações regulares e assertivas sobre essa expansão, os órgãos públicos e privados ainda não tinham como estimar esse cenário. “Faltava ao país indicadores para quantificar e demonstrar o quanto a sua agropecuária vem evoluindo rumo à desejada intensificação sustentável”, pondera Ferraz.

As redes de fomento e observatórios também poderão se beneficiar com o novo sistema de monitoramento. O pesquisador da Embrapa Solos Renato Rodrigues ressalta a importância da metodologia desenvolvida. “Hoje, não se sabe com precisão onde ocorrem ou quais são as taxas de adoção dos sistemas integrados. Portanto, os dados sobre a expansão dos sistemas de integração lavoura-pecuária serão muito bem-vindos para o planejamento dos trabalhos, não apenas da Rede ILPF, mas, tenho certeza, para todo o setor do agronegócio interessado na intensificação sustentável”, comenta.

As estatísticas geradas pela metodologia ainda poderão subsidiar o setor produtivo, auxiliando na orientação de investimentos privados e na destinação de recursos. Ao mesmo tempo, no setor financeiro, os dados poderão ajudar na concessão de seguro ou crédito agrícola.

As informações geradas pelo monitoramento auxiliarão o Ministério da Agricultura e órgãos setoriais dos governos federal e estaduais, pois os dados se transformarão em estatísticas e indicadores espaciais que poderão subsidiar políticas setoriais relacionadas à transferência de tecnologias e à logística e infraestrutura, em auxílio ao setor privado. “Os dados gerados contribuirão, ainda, com o inventário e o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na agropecuária nacional, permitindo também avaliar o potencial de mitigação da emissão de GEEs. Também atenderão à estimativa e à disponibilização de dados agroambientais em plataformas como a do PronaSolos e o Observatório da Agropecuária Brasileira do Mapa”, destaca o pesquisador da Embrapa Solos Pedro Freitas.

O novo sistema também colabora com o estabelecimento de indicadores agroambientais preconizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas (ONU), no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o que conferirá maior destaque à atuação do Brasil em Fóruns Internacionais. Nesse sentido, Simões ressalta que “O Brasil contará com dados estatísticos e indicadores agroambientais que, além de subsidiar os processos de tomada de decisão, planejamento e gestão do setor agrícola, permitirão demonstrar o quanto a agropecuária nacional caminha rumo à sustentabilidade, empoderando o país nos fóruns internacionais de negociação comercial e ambiental”.

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Nova metodologia brasileira já ganhou dois prêmios

A metodologia criada no âmbito do projeto GeoABC para o mapeamento de sistemas integrados lavoura-pecuária já venceu dois prêmios científicos em 2021.

No II Congresso Mundial sobre sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, em junho de 2021, a metodologia conquistou o 2º lugar. O evento foi promovido pelo Ministério da Agricultura, Embrapa, Associação Rede ILPF, Sistema Famasul e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar do MS (Semagro).

Na 3ª edição do Prêmio MapBiomas, a metodologia ficou com o 1º lugar. O trabalho premiado mostrou o desenvolvimento da metodologia e os resultados da classificação dos sistemas ILP e duplo cultivo para o estado de Mato Grosso, partindo do mapeamento da soja disponibilizado pelo MapBiomas.

O evento ocorreu em julho de 2021 e foi promovido pelo Projeto de Mapeamento Anual do Uso e Cobertura da Terra no Brasil, que conta com a participação de uma rede colaborativa composta de especialistas nos Biomas, Uso da Terra, Sensoriamento Remoto e Geomática.

 

 

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