Sistema usa inteligência artificial para identificar o período fértil do gado leiteiro

Dados podem ser usados para monitorar saúde do rebanho, sendo úteis também para a pecuária de corte

Saber exatamente quando se inicia o cio de vacas leiteiras, possibilitando que a inseminação artificial seja feita no momento certo para potencializar as chances de sucesso e, consequentemente, tornar a fazenda mais eficiente. Essa é uma das principais vantagens da solução trazida para o Brasil pela empresa de engenharia e desenvolvimento de software Radix, em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG).

Composto por sensores instalados nas patas dos animais e em uma coleira, o sistema “observa” o movimento, a temperatura e a ruminação do animal para, por meio de análise preditiva, determinar exatamente quando o período fértil se inicia. Ele também é integrado por uma plataforma que pode ser acessada no computador ou no celular e um dispositivo que envia as informações coletadas pelos sensores para a plataforma.

“No cio, a vaca fica mais agitada, então é possível perceber um aumento na movimentação do animal com acelerômetros colocados em suas patas”, explica o diretor da Radix e responsável pelo projeto, Flavio Waltz. Segundo ele, este único sensor seria suficiente para cumprir o objetivo de identificar o cio, porém, o colar que integra a solução a torna mais precisa com a ajuda de termômetro e microfone. “No cio, a temperatura do animal também aumenta e a vaca come menos, ou seja, a ruminação diminui. O microfone detecta uma mudança no hábito de ruminação pelo som”, diz.

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Waltz explica ainda que conseguir determinar quando o cio se inicia é importante porque, embora o ciclo fértil seja mensal, ele costuma ser curto, durando em torno de dois ou três dias. “Muitas vezes o cio inicia à noite, quando não há ninguém observando, nem o acesso ao veterinário é rápido. Então, já se perdem de 8 a 12 horas do período fértil”, diz. Com o sistema, a equipe responsável pela inseminação artificial pode ser acionada imediatamente, inclusive sem intermediações, já que os profissionais também podem ter acesso à plataforma.

Para o produtor, isso significa maior assertividade na inseminação artificial, principalmente considerando os gastos com sêmen e com a equipe responsável pelo procedimento. “Aumentar a fertilidade artificial significa aumentar a eficiência do projeto. Com o mesmo investimento, você consegue inseminar com sucesso mais animais”, resume o diretor da Radix.

Por outro lado, para o animal, o benefício é promover o seu bem-estar. De acordo com Waltz, quando a inseminação é feita no momento adequado, o risco de haver erros no processo é menor, o que implica em menores chances de impactos negativos do processo nas próprias vacas.

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Corte

Embora o foco inicial do sistema seja a pecuária leiteira, ela também pode contribuir para os produtores de gado de corte. Nesse caso, a solução contribui para a prevenção de problemas do sistema digestório nos animais, assim como outras doenças.

“O retorno do investimento na pecuária leiteira é mais rápido do que na pecuária de corte, mas agora, com o barateamento das tecnologias, principalmente de conectividade no campo e sensoriamento, o sistema se torna factível tanto para uma quanto para outra”, afirma Waltz.

A solução foi implantada em unidades produtoras no Japão pela Microsoft em parceria estratégica com a Fujitsu. Agora, Radix, Microsoft e FAEMG buscam produtores brasileiros interessados em implantar o sistema em suas fazendas no país.

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