Situação da peste suína africana na Ásia e impactos no mercado brasileiro

Desde 2019, a produção de carne suína da região tem sido impactada, o que aumentou a demanda por importações de carnes de diversas origens, incluindo o Brasil.

As projeções para a produção de suínos na Ásia, com destaque para a China, são de aumento, mas há alguns pontos importantes a serem acompanhados.

Desde 2018, quando o surto de peste suína africana começou a se espalhar pelo Sudeste Asiático, o cenário de produção e comércio de carnes mundo afora virou de cabeça para baixo. Isso ocorreu porque a China, maior produtor de carne suína, foi fortemente afetada pela doença, que não acomete humanos, mas dizima rebanhos suínos, seja pela morte com a doença ou pelo abate sanitário para contê-la.

Cenário atual da peste suína

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em 2021 foram reportados dez surtos de peste suína africana na China. Entre as medidas tomadas pelo país, está a criação de cinco regiões para controle de status sanitário e transporte de suínos, com o intuito de conter eventuais surtos em determinada área.

Segundo a projeção mais recente do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção de carne suína da China deve aumentar 11,4% em 2021, atingindo 40,5 milhões de toneladas.

Apesar do acréscimo frente ao vale de produção observado em 2020, a expectativa para 2021 ainda é 25,1% menor que o patamar de 2018, quando o surto começou.

Embora a China seja incomparável em volume produzido, o Vietnã também é um importante produtor de carne suína na região e que tem sofrido com a doença nos últimos anos. No final de maio deste ano, foi anunciada a suspensão da compra de suínos vivos da Tailândia, em decorrência da identificação da doença em um lote importado do país.

A projeção é de que o Vietnã aumente em 5% sua produção em 2021, em comparação com o ano anterior, o que equivale a uma produção de 2,6 milhões de toneladas este ano. Já em relação a 2018, tal projeção é 7,9% menor.

Figura 1. Evolução e projeções da produção de carne suína dos dois maiores produtores do Sudeste Asiático, em milhões de toneladas.


Observação: Dados da China no eixo da esquerda e do Vietnã no eixo da direita, ambos em milhões de toneladas. / Para 2021, são projeções. Fonte: USDA

Pontos de atenção

Apesar de as projeções e informações oficiais apontarem uma direção positiva para a retomada da produção chinesa, Tal descarte seria resultado da preocupação dos produtores com a reemergência da doença.

Os preços do suíno em queda forte no país vão ao encontro dessa hipótese. Entre janeiro e junho de 2021, a cotação do suíno vivo na China passou de US$5,57/kg para US$2,74/kg, uma redução de 51%, segundo cotações do portal de suinocultura Pig333.   

Houve momentos no início da crise nos quais ocorreu movimento de descarte de plantéis, aumentando a oferta em um primeiro momento. No entanto, posteriormente, um descarte acentuado de matrizes gerou queda da produção nos anos seguintes.

Se realmente esse movimento estiver ocorrendo, a oferta de animais para abate poderá ser enxugada novamente e, consequentemente, haverá aumento do apetite do país por importações de proteínas, beneficiando não somente as vendas brasileiras de carne suína como a de aves e a bovina.

LEIA TAMBÉM: China, um cliente que não é para qualquer um

O que esperar:

A questão da peste suína africana não está resolvida, embora a situação, aparentemente, esteja bem mais controlada do que nos últimos anos.

Apesar das incertezas, as expectativas são positivas com relação à demanda chinesa por proteínas em 2021 e 2022

Mesmo que tal descarte de matrizes suínas não influencie a recuperação da produção na China e esta ocorra sem maiores solavancos, a expectativa é que parte do espaço que a carne bovina ganhou no país seja mantido.

Para uma referência da relevância do destino, de janeiro a maio desse ano, China e Hong Kong compraram 64,5% da carne bovina exportada pelo Brasil, em participação no faturamento.

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Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

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2 respostas para “Situação da peste suína africana na Ásia e impactos no mercado brasileiro”

  1. Avatar Aristal - Paraná (PR) disse:

    Excelente notícia 👍🏻

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Agradecemos o feedback, Aristal.

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