Situação da safra brasileira de grãos 2021/22

Demanda seguirá firme para o setor de proteína animal

Teve início a colheita de soja e milho de primeira safra no Brasil. A produção no país e na América do Sul, porém, está marcada pela forte estiagem no sul do país e a redução na produtividade das lavouras.

Soja

Em 2021, foram exportadas 86,1 milhões de toneladas de soja, em meio a uma produção de 137,8 milhões de toneladas na safra 2020/21, recordes para o setor. E, até a segunda semana de janeiro/22, os embarques médios diários da oleaginosa foram de 124,3 mil toneladas, apresentando uma alta de 4.921,8% em relação a janeiro/21 (figura 1).

Figura 1.
Exportações mensais da soja em grão brasileira, em milhões de toneladas.

*até a segunda semana de janeiro.
Fonte: Secex / Elaboração: Scot Consultoria

Para a safra 2021/22, a Conab estimou, em janeiro (12/1), a produção nacional de soja em 139,4 milhões de toneladas. Uma queda de 1,6% ou 2,3 milhões de toneladas no relatório em dezembro, puxada pelas condições das lavouras no sul do país.

Com relação à condição das lavouras no Paraná, terceiro maior produtor nacional, houve uma piora nos últimos meses de 2021. Até 17/1/22, 33% das lavouras estavam em boas condições, 33% em condições médias e 34% em condições ruins (Deral). 

As estimativas iniciais de produção paranaense (outubro/21) foram revistas e passaram de 20,7 milhões de toneladas para 18,46 milhões (Conab), e novos cortes não estão descartados. Até o dia 15 de janeiro, 2,0% da área esperada no estado foi colhida.

No Mato Grosso, os trabalhos de colheita tiveram início na última semana de dezembro (Imea). No estado o clima, até então, não pesou nas condições das lavouras.

Da expectativa de área semeada, 5,1% foram colhidas (15/1), o que indica 4,1 pontos percentuais acima do colhido no mesmo período, na safra 2020/21. A expectativa é que a produção no estado seja de 38,2 milhões de toneladas na temporada 2021/22 (Conab).

Com relação ao mercado externo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou revisão para baixo na produção sul-americana de soja em janeiro (12/1), puxada pelo peso do clima sobre a produção na região.

As estimativas de produção da oleaginosa no Brasil, Argentina e Paraguai, assim como os estoques globais, foram revisadas para baixo em relação ao reporte de dezembro. No Brasil, a produção de soja na safra 2021/22 está estimada em 139 milhões de toneladas, contra 144 milhões em dezembro.

No caso da Argentina, a estimativa é de 46,5 milhões de toneladas, diante das 49,5 milhões de toneladas em dezembro. No Paraguai, a produção atual foi estimada em 8,5 milhões de toneladas, em vez das 10 milhões de toneladas estimadas anteriormente.

Com a revisão para baixo nas estimativas para a América do Sul e a manutenção das expectativas de demanda global, os estoques finais em 2021/22 foram reduzidos de 102 milhões de toneladas em dezembro/21 para 95,2 milhões, atualmente.

O cenário na América do Sul pesou sobre as cotações e os preços subiram no mercado brasileiro, em janeiro. Em curto prazo, apesar do avanço da colheita, a expectativa é de preços firmes no mercado interno, com espaço para recuos pontuais, sustentados pela baixa disponibilidade do grão, as preocupações com o clima e, consequentemente, com a produção na safra atual.

Milho

Assim como a soja, a produção de milho de primeira safra no país, responsável pelo abastecimento do mercado no primeiro trimestre do ano, também foi fortemente impactada pelo clima.

Puxadas pelas revisões para baixo na produção de primeira safra, estoques de passagem enxutos, câmbio elevado e término da isenção do PIS/Cofins para a importação do cereal, as cotações do milho em grão subiram em janeiro.

Em 2021, foram importadas 3,2 milhões de toneladas de milho, 133,6% a mais que em 2020, e o maior volume já importado pelo país (Secex), fator que diminuiu a pressão de alta nos preços (figura 2).

Figura 2.
Importações brasileiras de milho, em mil toneladas, entre 2015 e 2021.

Fonte: Secex / Elaboração: Scot Consultoria

Para a produção de primeira safra, em fase de colheita, a Conab revisou para baixo, em 14,8%, a produtividade média das lavouras em relação às estimativas de dezembro para o ciclo atual.

No Paraná e no Rio Grande do Sul, principais produtores do cereal na primeira safra, a expectativa é que as produtividades sejam de 25,8% a 32,7% menores frente à safra 2020/21, com produções estimadas em 2,7 e 3,0 milhões de toneladas, respectivamente (Conab).

A produção de milho de primeira safra para 2021/22 está estimada em 24,78 milhões de toneladas, 14,7% a menos que o previsto em dezembro, e 0,3% acima do colhido na primeira safra 2020/21.

Ressaltamos que a expectativa para a produção de primeira safra em dezembro/21 era de 29,06 milhões de toneladas e novos cortes de produtividade não estão descartados.

A produção total de milho na safra atual (1ª, 2ª e 3ª safras) está estimada em 112,9 milhões de toneladas.

Para os curtos e médios prazos (primeiro trimestre de 2022), os estoques de passagem enxutos, somados ao atual cenário de menor produção na primeira safra, deverão manter firmes as cotações do milho no mercado brasileiro.

Felipe Fabbri – zootecnista, me.
Scot Consultoria

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*