Afinal, suplementação nas águas é desnecessário?

A maior oferta de capim, nesse período, muitas vezes afasta o pecuarista da suplementação, entretanto, o uso desses insumos melhora os resultados econômicos.

suplementação nas aguas

A pastagem é o alimento mais barato para ser fornecido para o bovino, mas a variação sazonal da produção de capim faz necessária a adoção de outras estratégias nutricionais.

Na estação seca do ano, como o pasto perde qualidade e, consequentemente, sozinho não é capaz de fornecer a quantidade de nutrientes que atenda às exigências de ganho de peso dos animais, uma parcela dos produtores suplementa os animais. Nesse período, como o teor de fibra do pasto é elevado e os níveis de proteína são baixos, o suplemento mais indicado para que os animais não percam peso é o proteico.

Com a chegada das chuvas, a forragem rebrota e grande parte dos pecuaristas suspende a suplementação, ou mantém apenas o fornecimento de sal mineral, por acreditar que, aparentemente, as pastagens podem atender completamente às exigências nutricionais dos animais.

Entretanto, é justamente nesse período que os investimentos em suplementação têm maior custo-benefício.

O primeiro ponto positivo dessa estratégia é que os suplementos também trazem consigo um maior aporte tecnológico, pois em suas formulações há aditivos, vitaminas e minerais que melhoram o desempenho dos animais.

Nesse caso, a suplementação energética em pasto proporciona maiores ganhos de peso em comparação com a suplementação mineral.

Além disso, quando há fornecimento do proteico energético, aumenta-se a quantidade de nutrientes disponíveis para o animal e, consequentemente, há um efeito substitutivo na dieta dos bovinos, ou seja, há uma redução do consumo de forragem uma vez que o suplemento atende grande parte das exigências do animal.

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No quadro a seguir, apresentamos uma definição dos tipos de suplementos minerais.

– Suplementos minerais de pronto uso: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral, podendo apresentar, no produto final, um valor menor que 42% de equivalente proteico.

– Suplementos minerais proteico-energéticos: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral, pelo menos 20% de proteína bruta e fornecem, no mínimo, 30 gramas de proteína bruta e 100 gramas de nutrientes digestíveis totais (NDT) por 100 quilos de peso corporal.

– Suplementos minerais proteicos: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral, pelo menos 20% de proteína bruta (PB) e fornecem, no mínimo, 30 gramas de proteína bruta (PB) por 100 quilos de peso corporal.

– Núcleos: pré-mistura composta por aditivos e minerais (macro e micronutrientes) e contêm ou não veículo ou excipiente, que facilita a dispersão em grandes misturas. Não podem ser fornecidos diretamente aos animais.

– Suplementos minerais com ureia: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral e, no mínimo, 42% de equivalente proteico.

– Concentrados: misturas compostas por ingredientes ou aditivos que, quando associadas a outros ingredientes, em proporções adequadas, constituem uma ração.

– Suplementos minerais para mistura: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral, podendo apresentar, no produto final, um valor menor que 42% de equivalente proteico. Deverão ser misturados ao cloreto de sódio (sal comum) ou a outros ingredientes para serem fornecidos ao animal.

 

Com essa substituição de parte da forragem por suplemento, sobra mais capim e, consequentemente, há espaço para colocar mais animais na área, aumentando a produtividade do sistema (mais animais ganhando peso por área).

Para analisar em números a viabilidade da suplementação durante as águas para terminação de bovinos, fizemos um comparativo entre o uso de suplemento proteico-energético (A) e o fornecimento apenas de sal mineral (B), considerando uma fazenda localizada em Andradina-SP.

Tabela 1.
Comparativo de receitas, desembolsos e resultados econômicos entre sistemas que fazem o uso de suplementação proteico-energética (A) e apenas sal mineral (B) nas águas.

O fornecimento de suplemento proteico-enérgico acelerou a engorda dos animais, dessa maneira, eles foram abatidos mais pesados em relação aos que foram alimentados com sal mineral.

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Dessa forma, o lucro obtido com a venda dos animais do grupo A (R$ 773,54) foi 135% superior ao lucro obtido com a comercialização dos animais do grupo B (R$ 222,64).

Conclusão

A associação correta entre o manejo de pasto e a suplementação aumenta a taxa de lotação e diminui o tempo de abate dos bovinos, melhorando os resultados econômicos da atividade.

Dentro da fazenda, para que o investimento em suplementação no período das águas traga resultado, o manejo da suplementação não pode ser menosprezado ou realizado de forma desordenada.

O ideal é fornecer a suplementação em quantidades corretas (formulação), em cochos com áreas adequadas, com cobertura e proteção contra a chuva.

Além de mensurar corretamente o consumo, fazer a reposição contínua do produto e contabilizar perdas oriundas durante processo.

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Autora: Marina Zaia, médica veterinária.

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