Sustentabilidade ajuda a aumentar a produção de gado

Para aumentar a produção e o bem-estar animal o Pecuarista-S de São Paulo, Bernhard Kiep, investe em tecnologia e sustentabilidade.

A história da família no cenário rural brasileiro começa ainda no século XIX, mais precisamente em 1838, quando Theodor Wille chega da Alemanha para estabelecer um negócio no Brasil. Sua empresa, a Theodor Wille & Cia ficou conhecida por exportar a primeira saca de café da província de São Paulo para a Europa.  De lá pra cá, quatro gerações depois, seu sobrinho-tataraneto Bernhard L. Kiep continua ajudando a construir a história da pecuária e da agroindústria no País. Bernhard acaba de ser reconhecido como Pecuarista-S, programa da Plataforma-S da Corteva que visa valorizar as melhores práticas sustentáveis na pecuária como referências a serem seguidas por toda a cadeia de produção de carne e leite.

O reconhecimento vem por todo o trabalho desenvolvido em sua Fazenda Cachoeira, propriedade de cria e recria em regime extensivo, a pasto, localizada no Município de Itaberá, no sudoeste do Estado de São Paulo, que adota práticas sustentáveis como ILP – Integração Lavoura Pecuária, com plantio direto de aveia no inverno e soja no verão e IATF – Inseminação Artificial em Tempo Fixo, com uma série de benefícios ambientais, para o bem-estar animal e para a produção.

Pecuarista-S

Como parte do Programa Pecuarista-S, a Fazenda Cachoeira integra um estudo amplo para a determinação de protocolos para redução dos GEEs (Gases do Efeito Estufa) na produção pecuária, nos diversos biomas e sistemas de produção, realizado em parceria com a Embrapa e o Frigorífico Minerva Foods, por meio da Plataforma-S da Linha Pastagem Corteva. No caso da Fazenda Cachoeira, o Programa ainda conta com o apoio da Realpec Agronegócios de Ribeirão Preto, Distribuidora Corteva para todo o Estado de São Paulo, cujo Supervisor Comercial, Fábio Cortez Bezerra, teve papel fundamental na seleção da Fazenda Cachoeira para o Programa. “Desde 2012, quando comecei a trabalhar como parceiro da Fazenda Cachoeira, a visão de sustentabilidade já chamava a atenção, a partir das ações para preservação das nascentes, bem-estar dos animais e sustentabilidade financeira, sempre buscando novas tecnologias”, ressalta Fábio.

A mesma opinião é compartilhada pelo Engenheiro Agrônomo Ricardo Pitta, Representante Comercial da Corteva na região. “Quando conheci a Fazenda Cachoeira me encantei com a sua história de tradição somada aos processos produtivos inovadores, com preocupação ambiental”, lembra Ricardo. O próprio relacionamento técnico da Fazenda com a Corteva ilustra bem sua visão inovadora. “No início, o pasto era tratado com Plenum, herbicida da Dow. Hoje, a Cachoeira utiliza Planador XT-S, a terceira geração do Plenum, com uma tecnologia ainda mais inovadora, nova combinação de moléculas e mais sustentável”, completa Fábio. Quer dizer, a Fazenda inova no controle de plantas daninhas, mas sem perder a tradição.

Para Bernhard, integrar esse estudo é um privilégio: “o que estamos fazendo é nos preparando para o futuro próximo, podendo mostrar que temos uma genética boa, comprovar a genética, mostrar o ganho de peso com sequestro de carbono, como estamos cuidando do pasto, da adubação, aplicando defensivos corretamente – tudo para aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, conservar o meio ambiente. Exigências que vão muito além do EPI – Equipamentos de Proteção Individual – dos colaboradores”.

Sustentabilidade e produtividade andam juntas

Apesar de todos os avanços tecnológicos em busca de maior sustentabilidade ambiental, social e financeira, o próprio Bernhard reconhece: “Nossa maior tecnologia na fazenda é a confiança”. O pecuarista se refere às relações que mantém com seus colaboradores, atribuindo a eles o protagonismo nessa conquista e nos resultados da operação, com destaque para o gerente da fazenda, Itamar Goularth de Paula. Assim como na história de Bernhard, Itamar também tem um laço de tradição familiar com a propriedade, que começa antes dos 24 anos em que trabalha lá: seu pai já trabalhava na Fazenda como Gerente quando Itamar chegou para ocupar a função de inseminador de bovinos, em 1997.

Essa visão de sustentabilidade não apenas como preocupação por imposição do mercado, mas como oportunidade de aumentar os ganhos e perpetuá-los com segurança é também expressa pelo gerente Itamar, revelando o alinhamento estratégico que existe entre o líder das operações na fazenda e o proprietário. “É uma coisa ajudando a outra: eu tenho que cuidar do solo, para a terra me responder com qualidade de forragem, que vai me responder com qualidade do gado, que é uma resposta também à qualidade dos manejos e, assim, estamos trazendo sustentabilidade para a Fazenda”, explica Itamar.

Segundo o gerente, a riqueza da Fazenda Cachoeira não é apenas o que ela produz. “Até parece que a gente está falando só porque é moda. Mas a riqueza da Fazenda Cachoeira é o que ela tem da porteira para dentro: o solo saudável, sem erosão e lixiviação, e a sua variedade de fauna e flora, aspectos que vão muito além da riqueza do seu plantel de pecuária.

E que senhor plantel! “Hoje temos aproximadamente 1.400 matrizes, criadas dentro do sistema Paint (Programa de Avaliação e Identificação de Novos Touros), que tem mais de 25 anos de história, e é o mais democrático no Brasil, porque inclui pequenos e médios produtores, com uma seleção mais voltada para a carne, cujas diretrizes são definidas para realmente obter os melhores reprodutores”, explica o produtor. “Quando temos uma desmama, acontece até de as pessoas brigarem pelo lote. Tomamos certo cuidado para não ofender ninguém. Mais para frente, alguém do frigorífico vai perguntar: mas de onde vem esse teu boi gordo? Onde você comprou o garrote? Se a resposta for `esse é da coroa´ – nosso símbolo é uma coroa – então é bom!”.

A conquista dessa excelente reputação não aconteceu por acaso. Ao longo da sua atuação na Cachoeira, Itamar e Bernhard foram adotando melhorias estruturais e nos manejos, para aumentar e valorizar a sua produção.

“Quando a gente vê os resultados preliminares (do estudo da Corteva), que mostram que estamos sequestrando Carbono, a grande alegria que não foi a possibilidade de ganhar dinheiro com isso, no futuro. A alegria é que estamos cuidando bem do nosso solo, do nosso patrimônio”, comenta Bernhard.

ILP – Integração Lavoura Pecuária

Como a Fazenda Cachoeira localiza-se numa região muito fria e por atuarem com criação extensiva a pasto, os gestores se preparam para o inverno fazendo silagem de sorgo e milho, como complemento à pastagem de Brachiaria, que resseca com as baixas temperaturas. É comum os termômetros indicarem temperaturas negativas. Mas há cinco anos, foi introduzida a ILP, com resultados acima dos esperados.

“Plantamos soja no verão e, no inverno, em vez de seguirmos para a safrinha de milho, a gente planta aveia, para que essas áreas sejam devolvidas à pecuária em forma de pastagem”, explica detalhadamente Itamar. “Ficamos pastoreando as áreas, para que a aveia não feche o ciclo e rebrote. Assim, conseguimos fazer até quatro pastoreios na mesma área. E, no final do inverno, ter uma oferta maior de forragem na época mais crítica da região, em julho e agosto, que tem até geadas. Pastoreamos a área de aveia até final de agosto, para no início de setembro já prepará-la para o plantio da soja. Os resultados dessa integração são excelentes aqui para a nossa região. Tanto que chegou a criar um problema bom para o verão, já que conseguimos manter uma lotação tão alta no inverno que vamos ter que suplementar no verão.

Os benefícios dessa integração supereficiente vão além dos ganhos diretos, decorrentes do aumento de peso do gado, como exemplifica o gerente: “na área agrícola, no final do inverno, a gente não tem muita matéria orgânica no solo para fazer a palhada para o plantio da soja, porque o gado comeu tudo. Mas, por outro lado, o terreno está todo estercado. Na pecuária, tem os ganhos de peso: tenho bezerros bem pesados na saída do inverno, que não passaram por estresse, por necessidade de comida; a vaca que vai parir bem e vai entrar na estação de monta com o escore necessário para o IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo), tudo isso são ganhos. Se eu aumento 15 kg na minha desmama, na saída do inverno, calculando em média R$ 14/kg, estamos falando de R$ 210 a mais por bezerro. Conseguimos emprenhar uma vaca dentro de 40/50 dias pós-parto, porque ela passou o inverno, o período mais crítico, sem queimar suas reservas. Devagarinho, também vou melhorando a qualidade do solo naquela área, que vai refletir também em mais sacas de soja/ha. Ou seja, melhor resultado no IATF, na desmama, na soja e, por aí vai”.

Bem-estar animal e sustentabilidade social

Quando a reportagem pergunta sobre o bem-estar dos animais, Itamar é enfático em afirmar: “o bem-estar dos animais, muito importante para a produção, está intimamente ligado ao bem-estar das pessoas, dos colaboradores que vão lidar com o gado. A meu ver, a principal ação nesse sentido é o treinamento de pessoas”. Itamar explica que o bovino é metódico, tem seus hábitos, não gosta de barulho, e que tudo isso tem que ser entendido pelos colaboradores e integrado aos manejos. “Os pecuaristas têm que aprender que o bem-estar do animal não é só um negócio bonito de falar, mas que também tem retorno financeiro nisso. Nossos números são a prova disso: nossos resultados são muito bons, nossos indicadores zootécnicos são excelentes. E muito disso é decorrente do bem-estar dos animais, dos cuidados, dos manejos muito bons com as vacas”, atesta o gerente.

Perpetuar conhecimento: por uma pecuária sustentável

A preocupação com a sustentabilidade da Fazenda vai além da adoção de boas práticas e novas tecnologias que melhorem sua produtividade e aumentem a segurança financeira do negócio. Preocupado com a acentuada redução da produção pecuária na região, que vinha perdendo espaço para a agricultura e também com a falta de credibilidade na Integração Lavoura Pecuária, por desconhecerem o funcionamento e seus benefícios, Bernhard e Itamar criaram um evento chamado “Dia de Campo”, para disseminar conhecimento, formas de manejo e, assim, incentivar o crescimento sustentável da pecuária.

De 2009 a 2019 realizamos, todos os anos, um Dia de Campo, com o nosso parceiro DSM Soluções em Nutrição como principal patrocinador. O perfil desses eventos não é voltado para a venda de gado ou nenhum dos produtos dos parceiros participantes e, sim, como um ´dia de treinamento´, para a difusão de conhecimento e tecnologias”, explica o pecuarista, enfatizando que “o objetivo principal é o de trazer soluções que respondam às necessidades práticas dos produtores”.

Nos dez anos em que o evento foi promovido contou, em média, com a participação de 200 a 250 pessoas, a maior parte constituída por produtores locais, nos primeiros anos. “Mas, nas últimas edições, chegamos a ter pessoas do Paraná e do Norte do Estado”, orgulha-se Bernhard. “Pretendemos retomar esse evento no ano que vem, dependendo da situação da pandemia”.

Plataforma-S

Bernhard encerra a entrevista ressaltando sua visão sobre o Pecuarista-S e as ações de sustentabilidade apoiadas pela Linha Pastagem Corteva, por meio da Plataforma-S. “Acho importante a cadeia da pecuária brasileira entenda que, ao invés de lutar contra as questões de sustentabilidade, é preciso fazer justamente o contrário, é quase como uma religião que a gente tem que praticar todos os dias. Fazer antes de apenas ficar falando o que os outros devem fazer. Esse será o grande desafio. Creio que o grau de maturidade na pecuária brasileira precisa evoluir e a consciência para manter e aumentar essa posição maravilhosa de mercado que conquistamos até aqui. Há também o desafio de fazer com que o mundo veja e reconheça isso que estamos fazendo. Por isso, essa questão da sustentabilidade do Pecuarista-S não é um ’sprint’, não é uma coisa de dois anos, é uma maratona. Com a Corteva, estamos embarcando juntos numa viagem que é para o bem da pecuária brasileira. Quanto mais pecuaristas entenderem isso, mais cedo nós vamos conseguir defender o nosso mercado”. A Linha Pastagem Corteva assina embaixo.

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