Qual a melhor tecnologia reprodutiva para sua fazenda?

Cada uma das técnicas disponíveis tem seu potencial e cabe ao produtor definir em qual delas seus objetivos com relação à genética se encaixam melhor.

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No primeiro texto desta série de genética, falamos que “a maneira mais eficiente e rápida de transmitir os genes superiores entre as gerações e acelerar o melhoramento genético é por meio da inseminação artificial (IA)”.

A IA é uma tecnologia que melhora o ganho genético do rebanho, pois possibilita que muitas fêmeas sejam inseminadas com touros melhoradores, ou seja, essa técnica multiplica os genes da linhagem paterna.

Vejamos o caso do touro BackUp, por exemplo. Ele produziu mais de um milhão de doses de sêmen e possui quase 500 mil filhos registrados em praticamente todas as regiões do Brasil. Esse touro possuía genética superior e por meio da inseminação artificial (IA) foi possível passá-la para seus inúmeros filhos. Caso esse animal estivesse dentro de uma fazenda, considerando os patamares zootécnicos de idade e cobertura, dificilmente teria mais que 300 filhos. 

Isso demonstra o poder da IA de melhorar geneticamente, de forma potencializada, o rebanho das fazendas.

Mas vale destacar que existem limitações quanto à técnica de IA. Isso porque, para conseguir inseminar a fêmea, é preciso que o produtor detecte se a vaca está na fase adequada de seu ciclo reprodutivo.

Quando o sistema reprodutor está apto a receber e fecundar os espermatozoides, ela está no cio (estro). Por isso, é feita essa observação nos sistemas de cria. A fase é um período do manejo reprodutivo em que os pecuaristas devem observar e identificar quais vacas entraram no cio ou não. Uma das formas de identificá-lo é quando a fêmea aceita a “monta” de outro animal.

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Quando esse comportamento acontece, o produtor deve aguardar 12h para inseminar a fêmea, pois as chances de fecundação são maiores.

Entretanto, existem muitos erros nessa fase. E eles estão fortemente relacionados à dificuldade de manejo, pois é preciso que as fêmeas sejam observadas algumas vezes por dia. Além disso, o operacional dessa atividade é insuficiente pela falta de mão de obra treinada e capacitada. Outro agravante é que as fêmeas zebuínas, além de possuírem duração de estro curta, muitas vezes o expressam no período noturno, o que dificulta a identificação.

Assim fica claro que as dificuldades operacionais da inseminação artificial, quando feita sozinha, provocam queda da taxa de prenhez, pois o manejo de observação de cio é ineficiente e, dessa forma, menos fêmeas são inseminadas.

Diante disso, biotécnicas voltadas à eliminação da necessidade de observação de estro (cio) adentraram a porteira da fazenda.

Um exemplo é a inseminação artificial em tempo fixo (IATF). A IATF é uma técnica que consiste em manipular farmacologicamente o ciclo estral da fêmea para induzir e/ou sincronizar o cio e a ovulação, com o objetivo de realizar a inseminação em dia e horário predeterminados, eliminando a fase de observação.

Inúmeras empresas comercializam produtos para a realização da IATF e inúmeros técnicos especializados e treinados implementam o método no Brasil.

Vale destacar que muitas fazendas de leite ainda utilizam somente a IA como forma de reprodução, pois como as fazendas manejam as vacas várias vezes ao dia, seja para ordenha ou para algum protocolo sanitário, os produtores estão frequentemente observando quais animais entraram no cio.

Outra biotecnologia que tem ganhado espaço na pecuária é a transferência de embriões (TE). O objetivo é o mesmo, multiplicar os genes desejáveis no rebanho. A diferença é que nesse caso são escolhidas tanto a linhagem paterna como a materna.

Nesse tipo de prática, ao coletar os oócitos (células produzidas no ovário), é possível que o produtor repasse a genética de uma vaca a milhares de filhos. Cenário que seria impossível se a fêmea tivesse os filhotes, pois normalmente ela consegue fornecer, em média, sete crias ao longo de sua vida.

Em rebanhos comerciais, esse tipo de tecnologia ainda é pouco empregado. Normalmente as fazendas que fazem TE são focadas na produção de touros (genética).

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Custos da IATF

Segundo pesquisas realizadas pela Scot Consultoria, um protocolo com todos os hormônios e equipamentos necessários para a realização da IATF fica em torno de R$ 20,00 por vaca inseminada.

Já o preço da palheta de sêmen dependerá do touro escolhido.

Existem animais cuja palheta de sêmen é vendida a R$ 10,00. E casos de sêmen sexado (sexo determinado) que podem chegar a R$ 7.000,00. O último caso normalmente está relacionado a touros de elevado valor genético, que na maioria das vezes já faleceram, ou seja, os estoques são limitados.

Ainda com relação ao sêmen sexado, existem opções mais acessíveis, custando na faixa de R$ 50,00. Esses casos são interessantes para produtores de leite, por exemplo, no qual o objetivo principal da cria é que o animal nascido seja fêmea para manter crescente o plantel de vacas leiteiras.

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Por fim, cabe ao produtor definir qual ferramenta reprodutiva se encaixa melhor no objetivo da fazenda. Mas, de qualquer forma, a adoção de IATF traz maiores taxas de prenhez e, portanto, maior quantidade de bezerros nascidos, que é a principal fonte de renda do criador.

Autora: Marina Zaia – médica-veterinária

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2 respostas para “Qual a melhor tecnologia reprodutiva para sua fazenda?”

  1. Avatar Silveira Silva - São Paulo (SP) disse:

    Mto.bom esses esclarecimento.

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Curtiu, Silveira? Volte mais vezes para conferir mais matérias sobre reprodução. Até mais.

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