Três dicas para manejo do pasto no início da estação chuvosa

No início da estação chuvosa, com manejo adequado, o pecuarista pode produzir de 60% a 80% da produção anual de uma forrageira.

manejo estação chuvosa

Embora o Brasil seja um país com gigantesca extensão territorial, a produção animal em pastagens apresenta algumas características semelhantes de norte a sul, como as duas estações do ano: chuvosa e seca.

Assim como todas as plantas, o crescimento de plantas forrageiras, gramíneas ou leguminosas, é determinado por fatores genéticos (que dependem da espécie/cultivar escolhida) e dos fatores ambientais, tais como luminosidade, chuvas, temperatura, fertilidade de solo, etc.

Por isso, a época das águas é a mais importante do ponto de vista de produção e utilização das forrageiras. Com chuva e temperatura em abundância, a época das águas pode prover entre 60 e 80% da produção anual de uma forrageira.

Para as forrageiras, o início da estação chuvosa é uma época muito importante, pois, após meses sem disponibilidade de água e, em algumas regiões do Brasil, também com reduções na temperatura, as plantas cessaram o crescimento e utilizaram as reservas para se manterem vivas.

Portanto, após as primeiras chuvas, é de suma importância que o manejo do pastejo seja ajustado, pois as primeiras folhas verdes serão responsáveis por restabelecer os processos fotossintéticos e recompor as reservas.

Na sequência, a medida que as chuvas se estabilizam e as reservas são recompostas, ainda mais folhas e perfilhos serão gerados. Esse é o mecanismo que as plantas forrageiras utilizam há milhares de anos para garantir a persistência em uma determinada pastagem.

Se logo após as primeiras chuvas, as taxas de lotação são aumentadas antes mesmo que as reservas sejam recompostas, de imediato o potencial de acúmulo de forragem pode ser comprometido. A recorrência de superpastejo resultará em morte de plantas que não tiveram tempo suficiente para recompor as reservas, resultando em condição propícia para o aparecimento de plantas daninhas.

Dessa forma, no início da estação chuvosa, é hora de:

  • Planejar a utilização dos pastos

Para garantir o bom manejo das pastagens, no início da estação chuvosa, devemos realizar o planejamento de uso dos pastos, o que inclui a definição de quantos animais serão alocados em cada pasto, bem como a sua expectativa de permanência.

É preciso estimar a produção de forragem, o consumo dos animais e identificar se a quantidade de forragem que será produzida é capaz de suportar o número de animais previstos. Caso a demanda por forragem seja maior do que a oferta, será necessário reduzir a quantidade de animais ou buscar alternativas de suplementação. Esse planejamento garante que as forrageiras não sejam utilizadas além da sua capacidade e aumentam as chances de garantir a longevidade dos pastos.

  • Controlar as plantas daninhas

Planta daninha, normalmente, é o primeiro sinal de que uma determinada pastagem não está respondendo como deveria, ou seja, produzindo abaixo do potencial. Há algo a ser corrigido e, na maioria dos casos, é o manejo da pastagem que está inadequado às necessidades da forrageira.

Pode ser que haja a necessidade de reposição de nutrientes, que estão limitando o crescimento das forrageiras, ou as taxas de lotação foram mais altas do que deveriam, devido ao planejamento inadequado ou não realizado.

Em todo caso, o início da estação chuvosa é o momento em que as plantas daninhas retomam o crescimento e, portanto, estarão em estádio vegetativo, época que aumenta a eficiência aos herbicidas.

Após o período seco, as invasoras vão retomar o crescimento, tornando-se maiores e mais robustas, então, controlá-las será cada vez mais difícil. Além disso, boa parte das plantas daninhas vai começar a reproduzir e espalhar-se pelas pastagens, tornando o controle ainda mais oneroso. Então, controle-as o quanto antes.

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  • Adubar as forrageiras

Como parte das boas práticas de manejo de pastagens, devemos considerar análise de solo com certa regularidade, em áreas mais intensificadas, recomenda-se que seja feita anualmente e, em áreas mais extensivas, a análise de solo pode ser feita a cada dois ou três anos.

No entanto, a reposição de nutrientes em pastagens não é uma questão de “se vou fazer”, mas de “quando vou fazer”.

O bom manejador de pasto (o agricultor de capim) precisa se preparar para manter os níveis de fertilidade de solo adequados para garantir a produção de forragem necessária para alcançar os objetivos traçados para um determinado sistema.

Nesse caso, o aumento da eficiência da adubação está sempre relacionado com o início das chuvas. Adubar pastos, especialmente com fertilizantes nitrogenados, logo após a regularização das primeiras chuvas (outubro-novembro), aumenta as chances de ter uma pastagem produtiva ao longo de toda a estação chuvosa. Isso ocorre devido à disponibilidade de todos os fatores reguladores de crescimento de plantas, como água, luz e temperatura.

Por outro lado, uma adubação mais tardia, do meio para o final das águas (fevereiro-abril), resulta em menor eficiência, pois outros fatores como comprimento do dia e temperatura, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, já começam a limitar o potencial de crescimento das forrageiras.

Leia também: Adubar x Não adubar

Dessa forma, se a adubação consta no planejamento anual do seu pasto, essa é a hora de começar a pensar na execução da atividade.

Conclusão

Com um bom planejamento, controle de plantas daninhas e adubação, as forrageiras apresentarão seu máximo potencial de acúmulo de forragem e persistência. Assim, com as forrageiras bem cuidadas, a produção animal em pastagens estará garantida nos próximos anos.

Autor: Bruno C. Pedreira, agrônomo (2003), mestre e doutor pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – USP, possui pós-doutorado em Ciência Animal e Pastagens pela mesma Universidade. Atualmente, é pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril e professor do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia na Universidade Federal de Mato Grosso, em Sinop-MT.

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