Pontos de atenção na venda da boiada no primeiro semestre

Além do foco na produtividade, conhecer a movimentação típica do mercado pode ajudar nos resultados da fazenda.

Comentamos com frequência por aqui que o produtor deve focar na eficiência, diluindo os custos que não aumentam com o acréscimo da produção, ou seja, os custos fixos (depreciação das benfeitorias, equipamentos, etc.) e custos variáveis indiretos (custos administrativos).

A venda, no entanto, deve ser programada buscando momentos mais atrativos. Para isso, fizemos uma análise da variação média de preços do boi gordo no primeiro semestre, desde 1998.

Além da movimentação média, considerando todos os anos, foram traçados dois cenários: um com os anos de retenção de fêmeas e outro com os anos de descarte de fêmeas.

Usamos esse indicador para gerar dois grupos, segundo a fase do ciclo pecuário (anos de retenção, normalmente de alta, e de descarte, geralmente de mercado mais fraco).

Foram definidos como anos de retenção aqueles nos quais houve diminuição da participação de vacas e novilhas, enquanto nos de descarte houve aumento desse indicador. A partir da definição desses grupos, foram calculadas as variações médias, em relação a janeiro, que foi o mês base de comparação dos dados (chamado base 100). Os resultados estão na figura abaixo:

Figura 1
Variações médias dos preços do boi gordo em São Paulo, em relação a janeiro (base 100), em anos de descarte e retenção de fêmeas, além da média do período (1998-2018).

Fonte: Scot Consultoria

Para ajudar no entendimento, tomemos o cenário de anos de retenção em junho. Como janeiro é a base 100, o valor 104,8 indica que na média de anos de retenção, o preço do boi gordo em junho foi 4,8% maior que em janeiro.

Dessa evolução de preços, podemos tirar algumas conclusões. A primeira é que em anos de descarte de fêmeas, em geral, os preços caem durante toda a safra, com a pressão da oferta adicional de vacas e novilhas, que normalmente são vendidas nessa época.

Na média do período de retenção de fêmeas, as cotações do boi gordo trabalharam em alta durante o primeiro semestre, apenas sentindo a pressão de final de safra, quando as pastagens perdem suporte, ou seja, cai a qualidade e disponibilidade de capim.

Com isso, o pecuarista concentra a venda de boiadas, o que significa a venda de lotes maiores em um menor espaço de tempo, nesse caso, tanto machos como fêmeas.

Perceba que esse momento de pressão negativa, em maio, aparece nos três cenários, retenção, descarte e média.

Estratégias de venda da boiada

 Sabendo que as cotações do boi gordo tipicamente caem em maio, tentar programar a venda para abril ou junho tende a gerar melhores resultados, na média do período.

Aqui cabe a ressalva de que, dependendo do cenário de chuvas, a produção pode demandar o uso de uma suplementação alimentar mais intensiva, no caso de o pecuarista decidir deixar as vendas para depois. Isso pode fazer com que essa opção não seja tão interessante, por isso, é importante avaliar.

Quanto ao cenário de abates de fêmeas, para 2019, a conjuntura de provável melhoria do consumo de carne bovina, com expectativas positivas também para as exportações, deve trazer otimismo para a pecuária. Além disso, com os preços mais firmes desde o segundo semestre de 2018, é provável que 2019 seja o primeiro ano de retenção de vacas e novilhas.

Assim, é possível que tenhamos uma curva de preços positiva ao longo da safra.

De qualquer forma, existem oportunidades de trava de preços no mercado futuro do boi gordo que podem e devem ser usadas para garantir valores mínimos, por meio da compra de opções de venda (seguros). Você pode aprender sobre como proteger a precificação do boi gordo e diminuir riscos de mercado, neste artigo aqui.

Mesmo com expectativas positivas, sair do risco é sempre uma boa estratégia. Neste ano, talvez não seja necessário travar completamente as cotações para não perder possíveis valorizações e altas de mercado, mas um seguro de preço mínimo é algo a ser considerado.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc.

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