Volume recorde nas exportações de carne bovina

Quantidade exportada de carne bovina em fevereiro foi recorde para o mês.

A safra de capim entrou em seu terço final (março/abril), momento de maior oferta de bovinos terminados, o que gerou um aumento das escalas de abate dos frigoríficos e queda nas cotações.

Esse cenário foi visto nas praças paulistas no decorrer de março, com recuos na cotação do boi gordo destinado ao mercado interno na entrada da segunda quinzena do mês em questão.

Entretanto, os bovinos que se encaixam no padrão para exportação foram negociados por R$ 350,00/@ nesse mesmo período, com negócios reportados acima da referência, resultando em um ágio da arroba para os mercados interno e externo entre R$15,00 a R$20,00.
 
Nas praças pecuárias onde não há plantas habilitadas para a exportação à China, o mercado também trabalhou pressionado. O aumento na oferta de bovinos gordos na fase final da safra de capim, somado ao consumo doméstico fraco no primeiro trimestre de 2022, resultou em quedas nas cotações do boi gordo.

Figura 1.
Evolução dos preços do boi gordo em São Paulo e a média brasileira no acumulado de 2022, em R$/@, a prazo, livre de impostos.

Fonte: Scot Consultoria

Pensando em consumo doméstico, no mercado atacadista de carne bovina, os cortes de traseiro, os mais demandados no mercado nacional, permaneceram estáveis no comparativo entre as médias de março e fevereiro.

Por outro lado, os cortes de dianteiro, mais negociados com os chineses, subiram 0,73% na mesma comparação, puxados pelos bons volumes de embarques das exportações brasileiras.

A expectativa de manutenção da firmeza nas exportações deverá sustentar os preços para os cortes de dianteiro em abril. No entanto, o dólar em patamares mais baixos, abaixo dos R$5,00, juntamente com a maior oferta de bovinos, pode pressionar as cotações dos cortes de carnes em curto prazo.

Novo recorde nas exportações de carne bovina 

O Brasil exportou, em fevereiro de 2022, 159,54 mil toneladas de carne bovina, volume recorde para o mês, 55,8% maior que em fevereiro de 2021 e 38,2% maior que o recorde de fevereiro de 2019, quando o país exportou 115,43 mil toneladas.

Em fevereiro, a China manteve-se como principal compradora da carne bovina brasileira, importando 87,1 mil de toneladas. Estados Unidos e Egito seguem como segundo e terceiro maiores destinos, com embarques de 16,9 e 12,4 mil de toneladas de carne bovina in natura, respectivamente.

Até a terceira semana de março, o volume médio diário exportado foi de 9,31 mil toneladas, com um aumento de 60,0% na comparação com março passado, resultando, até o momento, no total de 121,02 mil toneladas para o mês. Para superar o total exportado em março/21 faltam 12,79 mil toneladas.

O bom ritmo da importação chinesa em 2022, leva a crer que em março teremos mais um recorde de exportação na comparação com marços passados.

Confinamento

O primeiro giro de confinamento começa em abril, em grande parte dos estados, devido ao menor volume de chuvas e ao final da safra de capim.

A estiagem afetou a produção da primeira safra de milho e soja na região Sul do Brasil e em países vizinhos, como Argentina e Paraguai. A menor oferta no mercado nacional e internacional vem dando firmeza às cotações dos grãos.

O preço da saca de milho, em Campinas, subiu 9,7% no acumulado de 2022, e a expectativa é que se mantenha em patamares elevados até a colheita da segunda safra brasileira, entre julho e agosto.  

O farelo de soja acompanhou os preços da soja em grão no mercado internacional, subindo 3,7% na primeira quinzena de março, diante da média de fevereiro em São Paulo.

Com a elevação dos custos de produção é esperado que confinamentos menos tecnificados reduzam o volume de boiadas no primeiro momento, podendo voltar à capacidade usual com a colheita da segunda safra de milho.

Mercado de reposição

O aumento da oferta de gado, com a proximidade do final da safra de capim e o início do período seco em boa parte dos estados brasileiros, foi o principal responsável pela queda nas cotações de todas as categorias no comparativo entre as médias de preços de março e fevereiro.

Vale destacar as quedas nos preços de bezerros e bezerras desmamados decorrentes do aumento da oferta dessas categorias, além do recuo mais intenso nas categorias de fêmeas comparado ao recuo nas categorias de machos, movimento típico para o período do ano.

Figura 2.
Variações dos preços médios das categorias de bovinos anelorados em março comparados a fevereiro, na média de todas as praças monitoradas pela Scot Consultoria.

Fonte: Scot Consultoria

Apesar da pressão de baixa vista no mercado do boi gordo em boa parte das praças pecuárias, a procura por animais erados para engorda rápida em pastagens e destinados ao primeiro giro de confinamento tem sido maior e impossibilita quedas mais expressivas nas cotações.

Expectativas para o mercado do boi e reposição

O bom ritmo das exportações visto no primeiro trimestre deve ser mantido em abril.

Com isso, no médio prazo, a demanda por animais “padrão China” deve continuar firme, sustentando as cotações do boi gordo nas praças pecuárias exportadoras e mantendo o ágio.

Por outro lado, a proximidade do término da safra de capim e o início da seca em muitos estados produtores pode aumentar a oferta de animais terminados, ocasionando recuos mais intensos nas cotações do boi gordo e da vaca gorda nos próximos meses.

Para os animais de reposição, o aumento da oferta, por conta do avanço da safra de capim, deve manter as cotações frouxas. Por outro lado, a demanda firme por bois jovens, visando o mercado chinês, pode dar firmeza às cotações dessas categorias.

Raphael Poiani – zootecnista
Scot Consultoria

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