O impacto da COP26 no agronegócio nacional

Compromissos assumidos pelo Brasil no evento serão um desafio, visto que nenhum país apresentou metas tão ousadas para a agropecuária

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia, deixou claro que as mudanças climáticas são um problema que necessita de ações imediatas. O teor das dúvidas e suposições levantadas no último evento, em Paris (2015), deu lugar ao consenso da gravidade da situação.

Os esforços foram principalmente na direção da criação de uma estrutura que regulamente e viabilize um mercado eficaz de créditos de carbono, o qual possa realmente converter o sequestro de carbono em renda e riqueza.  A descarbonização da economia não é uma equação simples, muito menos fácil, mas é inevitável. Como fazer isso de uma forma limpa, sustentável e sem postergar a responsabilidade para as próximas gerações foi alvo de muita discussão.

A boa notícia é que as regras para o mercado de carbono foram definidas no texto final do evento. Países poderão comprar “autorizações de emissão de carbono” para ajudar a cumprir metas climáticas, pagando àquelas nações cujas ações reduzem emissões. O acordo final também compromete os participantes a eliminar progressivamente o uso de combustíveis fósseis. Os países devem atualizar seus planos de redução de emissões e apresentá-los no ano que vem, já que os planos trazidos para a COP26 foram considerados insuficientes. Por fim, o acordo determina a apresentação de um relatório anual das emissões de cada participante para o monitoramento das metas.

O professor de Economia e Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e ministro interino de Assuntos Estratégicos, Daniel Vargas, explicou em Live da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), que a formação do mercado de carbono será um processo científico e institucional. “Nós precisaremos de muita ciência, que vai permitir converter toda essa riqueza da biodiversidade da nossa produção em números de carbono e números de serviços ecossistêmicos que vão poder, ao mesmo tempo, e a partir daí, serem precificados pelo mercado” afirmou Vargas. Ele também explicou que será necessário criar parâmetros institucionais, métricas e sistemas regulatórios que assegurem as condições para que o financiamento se junte a essa tecnologia, una-se ao empreendedorismo e à capacidade do produtor no campo, para que haja, de fato, a conversão da biodiversidade em renda e riqueza produtiva.  “Tendemos a ver em diversos países uma espécie de corrida para ver quem sai na frente”, aposta o ministro.  

O encontro deixou claro que uma nova economia se vislumbra logo à frente, e na qual terão vantagem aqueles que possuírem os melhores mecanismos de métricas de sequestro de carbono, aliados a instituições que organizem e estruturem a comercialização dos créditos.

Foi possível perceber que a tecnologia e a ciência terão papel determinante nesse processo, não sendo ilusório acreditar que o Brasil terá chances de uma boa largada. Com um dos agronegócios mais sustentáveis do planeta, o país se orgulha das ações e medidas que preservam o meio ambiente e aumentam a produtividade. O setor possui importante expressão na balança comercial brasileira e apresentou uma participação de 26,6% no PIB brasileiro em 2020, segundo a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Plano ABC

Entre as ações bem-sucedidas está o Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). Ele foi criado há mais de dez anos com o objetivo de organizar e planejar ações que promovam a adoção de tecnologias de produção sustentáveis, a fim de atender aos compromissos de redução de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) assumidos pelo país no setor agropecuário. O plano já melhorou a condição de pastagens de mais de 27 milhões de hectares, quase o dobro do compromisso inicial assumido que foi de 15 milhões.

Fabiana Villa Alves, pesquisadora da Embrapa e atual coordenadora-geral de Mudanças Climáticas, Florestas Plantadas e Agropecuária Conservacionista do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), afirma que o novo ABC+, segunda fase do Plano ABC, foi o trunfo brasileiro na COP26. Para a coordenadora-geral, o Brasil teve uma participação de destaque na Conferência. Ela afirmou que o país apresentou planos, ações e metas concretas para os próximos 10 anos. Esse plano setorial compõe a Política Nacional de Mudança do Clima (PNMC). “Temos ações de curto, médio e longo prazo em nove eixos estratégicos que vão desde pesquisa, acesso a crédito, projetos de cooperação internacional, assistência técnica, capacitação, reconhecimento e valorização dos produtos descarbonizados, sensibilização dos produtores e comunicação com a sociedade” explicou Alves.

Os compromissos assumidos pelo Brasil no evento serão um desafio, visto que nenhum país apresentou metas tão ousadas para a agropecuária, segundo a coordenadora-geral. Com o ABC+, serão adicionados 72 milhões de hectares com tecnologias descarbonizantes e adaptadas às mudanças do clima. “Estamos falando em 1.1 bilhão de toneladas de CO2 equivalentes evitados”, contou Alves. Ela acredita que, apesar de ser um desafio, também será uma grande oportunidade para que o país possa fomentar as tecnologias sustentáveis que já possui. “Demos uma clara sinalização para os outros países de que estamos comprometidos com a sustentabilidade”, afirmou. A diminuição da emissão dos gases do efeito estufa implica em desenvolver sistemas produtivos mais eficientes, criando oportunidade para o setor agropecuário gerar ativos, como o crédito de carbono. A coordenadora-geral está confiante que o país conseguirá cumprir as metas, assim como o fez em sua primeira fase.

O protocolo Carne Carbono Neutro, desenvolvido pela Embrapa, também é exemplo de como a pecuária nacional busca constantemente aumentar a produtividade dentro do contexto das crescentes restrições para a expansão sobre novas áreas para uso agropecuário. Com o manejo adequado do sistema de produção pecuário, o protocolo obteve 125% a mais de animais por hectare e um peso de carcaça, também por hectare, 163% superior em relação ao manejo convencional. E, ainda, garantindo a qualidade do produto final, a fixação de carbono no solo e o controle das emissões de metano. As emissões são compensadas pelos sistemas de integração que possuam o componente florestal e estocam o carbono nas árvores.

Inventário nacional

O inventário nacional de gases de efeito estufa é o instrumento oficial que identifica e quantifica as fontes de emissão dos GEES do País. O inventário é fundamental para ajudar as empresas, instituições e governos a traçarem as melhores estratégias e ações mais eficazes de diminuição dessas emissões. Ele segue metodologias e protocolos reconhecidos internacionalmente. A norma mais utilizada é a Greenhouse Gas Protocol – GHG,  compatível com a ISO 14064. No Brasil, o método foi adaptado para Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHGP). Registro Público de Emissões (registropublicodeemissoes.com.br).

A Corteva Agriscience™ é líder no segmento de controle de plantas daninhas em pastagem, e oferece aos agricultores de todo o mundo o mais completo portfólio de insumos do setor, como sementes, proteção de cultivos e soluções digitais para maximizar a produtividade dos produtores. A empresa conhece os desafios que o desequilíbrio das mudanças de padrão climático representa para a agricultura mundial, por isso se compromete em reduzir as emissões de gases e otimizar uma agricultura sustentável.

O compromisso foi formalizado com o anúncio das 14 metas da empresa para promover a sustentabilidade em todo sistema alimentar global pelos próximos 10 anos. Elas estão divididas em quatro pilares: agricultores, saúde do solo, comunidades (colaboradores e clientes) e as operações da empresa. As metas preveem treinamentos de agricultores sobre boas práticas de manejo, ferramentas para otimizar insumos e melhorar a resiliência climática. Destacam-se também ações que englobam o manejo da água, biodiversidade, transparência da cadeia de suprimentos e segurança do trabalhador. Os esforços da Corteva são em direção da inovação de maneira sustentável de forma prática e eficiente.

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