As particularidades da pecuária no Centro-Oeste

A pecuária no Centro-Oeste, que já foi de baixa produção, atualmente, colocou a região em destaque nacional no setor.

pecuária no centro-oeste

Mesmo quem pouco entende sobre pecuária vê a importância da região Centro-Oeste para o agronegócio brasileiro.

Décadas atrás, as pessoas migravam para a região com uma mala na mão e a esperança no coração. Uma terra bonita de encher os olhos, porém, com muitos desafios a serem vencidos.

Além das barreiras como a falta de infraestrutura (estradas e rodovias escassas), havia também a problemática da falta de uma forrageira adaptada à região, que, além de resistente ao clima, fosse também produtiva.

Foi um período com poucas linhas de crédito, o tempo de CBT, em que muitos pecuaristas fizeram uma pecuária arraigada na moda dos antigos. Muita economia e pouco investimento em tecnologia.

O avanço da pecuária na região começou com o lançamento da forrageira Brachiaria brizantha cv. Marandu (o Brachiarão), na década de 70.

Espécies forrageiras da região Centro-Oeste

Outra gramínea característica da região é o Andropogon, que possui alta tolerância à seca e é produtiva na época das águas, apresentando uma rebrota rápida logo nas primeiras chuvas.

Além do Brachiarão e do Andropogon, também é comum encontrar no Centro-Oeste propriedades que trabalham com outras gramíneas, como, por exemplo, o Xaraés, Paiaguás e Mombaça.

Quando foi lançado, o capim-marandu foi amplamente adotado, isso porque a forrageira tem baixa exigência de fertilidade do solo. Entretanto, parte dos pecuaristas que adotaram essa espécie o fizeram sem o devido cuidado, sem se preocupar em fazer o correto manejo de solo (adubação e correção de fertilidade do solo).

Atualmente, o conceito de trabalhar a fertilidade do solo já está consolidado na grande maioria dos pecuaristas.

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Em relação ao Andropogon, essa espécie exige uma atenção especial quanto ao manejo de entrada e saída dos animais no pasto. Isso porque, no fim da temporada, a qualidade do capim diminui devido à grande quantidade de colmo na planta.

Além disso, a síndrome da morte do capim Brizantão e a infestação de cigarrinhas nas pastagens são alguns dos desafios a serem vencidos na região.

Desafios característicos da região Centro-Oeste

No Centro-Oeste, tanto o Mato Grosso do Sul como o Mato Grosso se mantiveram mais fortes na pecuária. O primeiro a perder espaço para a agricultura foi Goiás, começando pelo sul do estado. Em pouco tempo, isso também ocorreu no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul.

Goiás ficou com um perfil de fazendas menores, enquanto o Mato Grosso, por ter áreas ainda por serem abertas, e, por consequência, preço mais baixo, deu origem a fazendas maiores. A agricultura, quando entrou nesses estados, entrou em um modelo gigante.

Atualmente, a pecuária do Centro-Oeste tornou-se uma pecuária extremamente profissional e de resultados. O maior rebanho do Brasil está no Mato Grosso e em 3º e 4º lugar está Goiás e Mato Grosso do Sul, respectivamente.

Como o Centro-Oeste tornou-se grande produtor de grãos, passou também a abrigar grande quantidade de confinamentos, que levaram a pecuária a uma estabilização nos preços e, em alguns momentos, até houve baixa.

Por outro lado, o acesso a novas tecnologias e a grande capacitação da mão de obra ajudou muito os novos pecuaristas a produzirem mais e melhor. O Centro-Oeste passou a ser uma referência em tecnologia para o Brasil e o mundo.

Uma delas é a Integração Lavoura Pecuária e a Integração Lavoura Pecuária Floresta, que tomaram conta da grande maioria das fazendas, levando a pecuária a produzir mais e de forma mais sustentável.

Mas, com tudo isso, ainda encontramos diferentes níveis tecnológicos e pecuaristas desde os mais modernos até os mais retrógrados. A pecuária lentamente vai se modernizando, e o pecuarista precisa estar atento e acompanhar esse processo de evolução.

Os custos operacionais das propriedades localizadas principalmente em Goiás e Mato Grosso do Sul são mais caros que em outras regiões, em virtude da pressão da agricultura, mas, como a corrida pela intensificação é maior e ela acaba trazendo mais lucro, o negócio torna-se bastante vantajoso.

O fato de a região ser mais próxima dos grandes centros e com estradas melhores permite ao pecuarista ter melhor qualidade de vida, inclusive para sua família.

Os índices pluviométricos são bastante equilibrados e parece que as variáveis climáticas acabam por interferir bem menos. Outra coisa boa é a quantidade e a qualidade da água, que é fundamental para a hidratação do boi.

Outro ponto interessante é a grande quantidade de pecuaristas trabalhando com leite e laticínios. Isso gera circulação de capital em toda a região, sendo mais uma alternativa de diversificação de negócio para o pecuarista.

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Conclusão

De maneira geral, existe um comércio especializado pronto para atender ao seguimento. Dessa forma, os preços tornam-se mais competitivos. Toda cidade dispõe de boas e grandes lojas agropecuárias e de máquinas. O cooperativismo é bastante forte em todo o Centro–Oeste e atua com muita competência na compra e venda dos mais diversos produtos e insumos.

Portanto, podemos concluir que se trata de uma excelente região para se instalar, principalmente para aqueles que querem estar entre os mais profissionais e que trabalham com mais tecnologias.

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Autor: Wagner Pires, engenheiro-agrônomo, pós-graduado em Pastagens pela ESALQ/USP. Consultor e CEO da Wagner Pires Consultoria & Treinamentos.

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