Bem-estar animal: melhorando a vida do produtor e do gado

A vantagem é de que o bem-estar animal proporciona mais segurança e conforto para os animais, além de também evitar perdas na produção.

Bem-estar animal: melhorando a vida do produtor e do gado

No perfil do novo consumidor que está emergindo no Brasil, além da qualidade da carne, o bem-estar dos animais também é uma de suas preocupações.

Esses novos consumidores, mais conscientes e exigentes, estão interessados em produtos que transmitam confiança quanto à origem e, ao longo do processo produtivo, não tenham envolvido sofrimento aos animais.

As etapas que antecedem o processo industrial (manejo, pré-embarque e transporte) são as mais críticas tanto para o bem-estar animal quanto para a qualidade da carne.

É importante que o produtor fique atento ao manejo que envolve essa etapa da produção, pois, além de se enquadrar às demandas do consumidor, também garante melhores retornos econômicos.

Os cuidados nessa última etapa são primordiais porque, mesmo se durante todo o período de cria e recria/engorda o manejo tiver sido impecável, os procedimentos no pré-abate podem comprometer os resultados.

As boas práticas e o reflexo no bolso do pecuarista

No Brasil, de acordo com agentes-chave, as perdas de peso decorrentes das más condições no transporte estão estimadas entre 8% e 10% em viagens acima de 8 horas.

Além da perda de peso, os animais que se machucam durante a viagem podem ter hematomas e lesões, e essas áreas normalmente são removidas durante a toalete da carcaça no frigorífico, o que influenciará no valor a ser pago ao produtor.

Segundo estudos, a região sacral e lombar são os lugares onde normalmente há mais lesões. Isso potencializa a perda econômica, já que a parte posterior da carcaça possui os cortes de maior valor agregado.

De acordo com pesquisas acadêmicas, as lesões representaram uma perda média de 0,225 kg a 0,5 kg por carcaça. Isso significa que, a cada 70 animais abatidos, o produtor perde uma arroba de carcaça. Nos preços atuais, isso significa aproximadamente R$ 155,00 a menos no bolso.

Leia também: Como são formados os preços da arroba do boi gordo?

Com base nessas informações, pode-se estimar que a indústria da carne bovina no Brasil perde por ano cerca de 15 milhões de quilos de carne só com hematomas, considerando o abate de 40 milhões de animais por ano.

Cuidados com o transporte

Para os animais, o ambiente novo (caminhão) já é condicionante para o estresse. Além disso, as condições do veículo, o cuidado do caminhoneiro ao dirigir, o clima, a duração da viagem e as condições de estrada, normalmente pioram a situação.

Vejamos as condições de infraestrutura no Brasil, por exemplo. A maior parte dos bovinos são transportados por rodovias. E, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 112ª posição, de 140, do ranking de qualidade das estradas.

Além disso, nas condições climáticas brasileiras, o Centro-Oeste é uma região de altas temperaturas e também onde estão localizadas as maiores quantidades de bovinos. Ou seja, o calor enfrentando pelos animais ao longo de seu transporte por vezes é inevitável.

Normalmente, as distâncias percorridas da fazenda até chegar ao frigorífico também são grandes. E, quanto maior o tempo de viagem, maiores são os riscos e o estresse para os animais.

Veja no mapa abaixo, por exemplo, a localização das plantas das três maiores indústrias frigoríficas brasileiras. As três juntas detêm aproximadamente 50% do abate nacional. Perceba as longas distâncias percorridas pelos animais que estão em fazendas no sul de Tocantins até o frigorífico mais próximo (considerando as três plantas em questão).

Figura 1.
Distribuição das três maiores empresas frigoríficas do BrasilBem-estar animal: melhorando a vida do produtor e do gado
Fonte: Scot Consultoria

Como melhorar o bem-estar do animal

Antes de tudo, é necessário avaliar as condições do veículo, que deve estar limpo e sanitizado, em boas condições, sem objetos perfurantes e com estrutura antiderrapante.

O primeiro passo é fazer o planejamento correto do transporte, separando adequadamente os lotes que serão embarcados para que os animais fiquem o menor tempo possível no curral.

Outra fase importante é a definição dos grupos, o ideal é não misturar animais de lotes diferentes nem misturar machos com fêmeas, pois, como eles são mais reativos, podem acabar machucando as fêmeas.

É importante também que animais debilitados, doentes ou machucados não sejam transportados, pois a chance de deitarem e se machucarem por pisoteamento é maior.

Além disso, é imprescindível que as quantidades de animais embarcados sejam adequadas à capacidade do caminhão para evitar tanto a superlotação quanto a baixa lotação.

No processo de embarque, os profissionais devem ser treinados e deve-se evitar o uso de choques, que, além de prejudicarem a qualidade da carcaça, machucam os animais.

Esse procedimento deve ser conduzido de maneira que cause o menor estresse possível ao animal, ou seja, o manejo deve ser feito de forma que ele se mantenha calmo. Assim, o trabalho será mais rápido e eficiente.

Após o embarque, o motorista deve esperar de 15 a 20 minutos, até que os animais se adaptem ao novo ambiente, para só então seguir viagem.

O ideal é que a viagem não dure mais de 12 horas. O indicado é que sejam feitas vistorias constantes ao longo do percurso para verificar a condição do animal.

Se paradas forem necessárias, devem ser feitas na sombra para melhorar o bem-estar dos animais.

Ao longo da viagem, o motorista deve sempre optar pelas estradas em melhores condições, respeitar o limite de velocidade, dirigir com cuidado e evitar movimentos bruscos, afinal, o transporte de carga viva é de extrema responsabilidade.

Leia também: Sanidade em bovinos de corte: custo baixo, risco alto

Conclusão

Por fim, existem inúmeras formas de proporcionar bem-estar aos animais. A maioria delas é simples e sem custo. Além de melhorar a vida do animal, proporcionando conforto e segurança, elas também reduzem as situações de risco para o motorista e outros profissionais envolvidos em todo o processo.

Autor: Marina Zaia, médica-veterinária.

Scot Consultoria

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