Cagaita: identificação da planta daninha e controle nas pastagens

Popularmente conhecida pela produção de frutos, a árvore é considerada uma planta daninha nas pastagens.

A cagaita ou cagaiteira (Eugenia dysenterica) é uma árvore frutífera de porte arbóreo/arbustivo, nativa do Cerrado brasileiro, pertencente à família Myrtaceae, uma das famílias florísticas mais representativas encontradas no Brasil.

O fruto da cagaita serve para consumo humano e é consumida normalmente na forma de sucos, sorvetes, geleias e licor. Popularmente, seu nome remete à capacidade laxativa dos frutos quando consumidos muito maduros ou fermentados.

Nas pastagens, porém, a planta é uma invasora e representa perdas para os sistemas produtivos, pela concorrência por nutrientes e espaço com o capim.

Ocorrência

A cagaita aparece com alta frequência em algumas regiões do Cerrado, formando aglomerados. Está presente principalmente na Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, São Paulo e Tocantins.

O seu predomínio se dá em regiões com temperaturas médias anuais entre 21,1 °C e 25,5 °C e altitudes que vão de 380 a 1.100 metros. A luminosidade mais intensa promove maior desenvolvimento de suas mudas.

Caraterísticas

Quando adulta, chega a medir de 4 a 10 metros de altura, mas seu crescimento é moroso, podendo levar até 12 anos para atingir uma altura de 5 metros.

O tronco pode ter até 40 cm de diâmetro, sua copa é alongada e densa, com folhas medindo de 3 a 13,8 cm de comprimento, e suas flores são brancas.

A mudança foliar, floração e frutificação da E. desynterica ocorrem comumente no início do período das chuvas, entre agosto e outubro, no caso do Brasil Central. A combinação da grande quantidade de flores brancas com as folhas novas, de cor avermelhada, destaca a cagaiteira na paisagem.

Figura 1.
Floração da cagaiteira

Fonte: Wikimedia Commons/Brandizzi.

A época de frutificação ocorre entre os meses de setembro e novembro.

Os frutos são do tipo baga com uma casca delgada e de coloração verde quando jovens e amarelo-claros quando maduros, redondos e um pouco achatados, suculentos e ácidos, contendo de uma a quatro sementes com cerca de 1 cm cada, ovais e de cor creme.

Figura 2.
Frutos maduros da cagaiteira

Fonte: Aelton B. Giroldo

Interação solo-planta-animal e controle da cagaiteira no ambiente

Os animais são os principais responsáveis pela dispersão das sementes no ambiente. Como a frutificação coincide com o início do período chuvoso, isso propicia a germinação, de modo que em seis meses ocorre a germinação até estabelecimento das novas plantas, o que permite que elas estejam adaptadas ao ambiente.

Como já citado, a planta possui uma alta prevalência em diversos estados brasileiros, o que pode comprometer a produção pecuária em pasto.

Diversos estudos realizados com extratos da cagaiteira revelam que ela apresenta propriedades alelopáticas, ou seja, possuem capacidade de interferir no crescimento de plantas vizinhas, por meio de substâncias liberadas, o que pode impactar o crescimento das forrageiras. Inclusive, a planta pode ter usado a atividade alelopática como estratégia de estabelecimento no ambiente.

Em geral, a cagaiteira está dispersa em solos com baixa fertilidade, prevalecendo em áreas de latossolo vermelho-amarelo, que são relativamente pobres. Estudos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) apontaram que o crescimento relativo de raízes é favorecido em ambientes deficientes, em especial, de nitrogênio e fósforo como reação biológica para aumentar a extração de nutrientes do solo e que, nesse sentido, as plantas presentes nesse tipo de solo apresentaram tendência de maior sobrevivência na ausência de adubação nitrogenada.

Ou seja, um bom manejo das pastagens tende a auxiliar na diminuição da permanência dessa espécie na pastagem. Da mesma forma, a planta daninha pode se sobressair em relação ao capim em áreas de solos menos férteis.

Por ser uma planta competitiva, bem estabelecida e de difícil controle, é importante que nos sistemas de produção em pasto o controle seja efetivo, por meio de aplicação foliar localizada ou localizada no toco, por meio de trator com lanças auxiliares ou aplicador costal, melhorando o rendimento da pulverização. 

Os ativos mais indicados são aqueles que contêm aminopiralide, picloram, triclopir, floroxipir, entre outros, como os produtos de Tecnologia XT-S da Corteva. A partir da ação desses ativos, ocorre uma melhora na qualidade do pasto e, consequentemente, nos ganhos na produção extensiva em pasto.

A aplicação foliar deve ser realizada na época de maior índice pluviométrico, de ausência de estresse hídrico e de temperatura. Já a aplicação no toco pode ser feita em qualquer época do ano.

No mais, não há estudos que indiquem toxicidade caso os animais consumam a planta (frutos imaturos e folhas).

Referências

Eugenia dysenterica Mart. Ex DC. (cagaita): Brazilian plant with therapeutic potential. Silva, Sandra & Gasca, Cristian & Fonseca, Yris & Magalhães, Pérola & Silveira, Damaris. (2015). Infarma Pharmaceutical Sciences. 27. 49-95. 10.14450/2318-9312.v27.e1.a2015.pp49-95.

Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável da Cagaita. Aldicir Scariot, José Felipe Ribeiro. – Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2015.

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