Comércio de carne bovina e pecuária dos Estados Unidos

Estamos vendendo mais carne bovina para o maior produtor mundial.

Em maio e junho, os Estados Unidos ficaram na terceira e na quarta posição, respectivamente, entre os compradores de carne bovina in natura brasileira, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

Em maio, foram vendidas 10,7 mil toneladas de carne bovina ao destino, que ficou atrás de China e de Hong Kong. Em junho, o país comprou 8,8 mil toneladas e, em julho, a União Europeia também ficou à frente do cliente.

Considerando apenas carne bovina in natura, no acumulado do primeiro semestre, o país representou 2,8% do faturamento. A representatividade acumulada ainda é modesta, mas a receita com o destino aumentou 539,1%, em comparação com o mesmo intervalo de 2020, passando d e US$15,3 milhões para US$ 97,5 milhões.

Apesar do aumento relevante, temos que destacar que a base de comparação, ou seja, o volume exportado no primeiro semestre de 2020 foi pequeno, o que permitiu a variação percentual expressiva.

Segundo o USDA, a projeção é de que as compras de carne bovina do país diminuam 9,6% em 2021, considerando todas as origens. Com isso, se temos aumentado as vendas, temos suprido o espaço de outros fornecedores, como a Austrália. O envio de carne ao país diminuiu 43% no primeiro semestre, quando comparado ao mesmo intervalo de 2020, segundo o MLA (Meat & Livestock Australia).

Além de importadores, com sua grande produção de carne, que detalharemos a seguir, os Estados Unidos também são exportadores relevantes. Veja a figura 1.

Figura 1.
Exportações e importações de carne bovina dos Estados Unidos, em milhões de toneladas equivalente carcaça (tec).

Obs: Para 2021, são projeções.
Fonte: USDA / Scot Consultoria

As projeções são de que os embarques do país aumentem 15,7% este ano, frente a 2020. Apesar de volumes crescentes também para a China, nosso principal cliente, como os EUA têm comprado a carne brasileira, o efeito de tal concorrência é relativo.

A pecuária norte-americana

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção de carne bovina dos Estados Unidos foi de 12,4 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec) em 2020, quantidade 22,6% maior que as 10,1 milhões estimadas para o Brasil, segundo a mesma fonte.

A tonelada equivalente carcaça é uma unidade usada para padronizar quantidades de carnes processadas, industrializadas ou desossadas em uma mesma base, a carcaça.

A produção dos Estados Unidos é maior que a brasileira, mas o que impressiona é quando associamos esse indicador a uma comparação dos rebanhos. O país tem tal produção de carne com rebanho equivalente a 43,6% do brasileiro, de 214,9 milhões de cabeças no início de 2020, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O efetivo bovino norte-americano no início de 2020 era de 93,8 milhões, segundo o USDA.

Enquanto em 2020 o abate de bovinos nos Estados Unidos foi de 33,3 milhões de cabeças, o que equivale a 35,5% do rebanho, no Brasil, usando a estimativa do USDA, foram abatidos 39,4 milhões de bovinos, o que representa 18,3% do rebanho inicial.

Para um rebanho menor produzir mais carne, temos inúmeras variáveis envolvidas, que resultam em uma taxa de abate maior e peso de carcaça também superior.

A taxa de desfrute, calculada aqui como as cabeças abatidas divididas pelo rebanho, representa o excedente, a produção daquele ano. Esse indicador é importante, pois resulta da eficiência de reprodução e do ganho de peso médio até o abate, o que define o tempo do ciclo de produção e a idade de abate desse animal.

Outro indicador que resultará na produção de carne, além da quantidade de abates, é o peso médio de carcaça. Enquanto no Brasil o peso médio de carcaça, entre machos e fêmeas, é de 256,2 quilos (17,1@), nos Estados Unidos a média foi de 371,4 quilos (24,8@) em 2020.

Expectativas e considerações

Os Estados Unidos possuem um sistema de produção com uso muito maior de confinamento e com animais entrando em terminação mais cedo, o que gera a eficiência zootécnica, mas também aumenta os custos.   

O Brasil tem aumentado o uso de confinamento de maneira expressiva, mas, como temos muito potencial em áreas de pastagem a serem melhoradas, onde o custo da engorda é menor, não devemos observar, tão cedo, um cenário de hegemonia do confinamento como nos EUA.

No que diz respeito ao movimento de mais compras de carne do Brasil, esse é positivo, mas, como o país tanto compra como vende carne, tudo vai depender do balanço internacional de oferta e demanda de proteínas, com foco em Austrália e China, assim como nas relações entre esses dois países, que não têm sido das melhores desde o início da pandemia.

Hyberville Neto – médico-veterinário, msc.
Scot Consultoria

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