Em períodos de chuvas a atenção com carrapatos deve aumentar

Com a temperatura e a umidade elevada, o carrapato-do-boi encontra um ambiente ideal para a infestação, o que pode diminuir os ganhos dos bovinos devido às doenças transmitidas.

Calcula-se que os prejuízos causados pelo carrapato-do-boi são de R$9 bilhões por ano no Brasil, o que inclui os medicamentos utilizados no controle parasitário, a perda de peso e as mortes ocasionadas pela tristeza parasitária bovina (Embrapa).

O carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus, popularmente conhecido como carrapato-do-boi, é um ectoparasito hematófago, possivelmente originado na Ásia, que encontrou no clima quente e úmido de regiões tropicais condições favoráveis para sobrevivência e manutenção da espécie.

Essa espécie tem preferência por parasitar bovinos, necessitando apenas de um único hospedeiro para completar o seu ciclo de vida.

O ciclo de vida do R. microplus é dividido em duas fases, sendo a primeira a parasitária, em que a larva se fixa no hospedeiro até o estádio adulto e a segunda a fase de vida livre (ou não parasitária), momento que tem início após cair no solo até a eclosão das larvas.

Figura 1.
Ciclo de vida do carrapato-do-boi.

Fonte: Embrapa

Ao desprender-se do animal, a fêmea ingurgitada (repleta de sangue) realiza a postura em um local protegido da luz solar direta, como os colmos do capim, podendo durar de semanas a meses, conforme as condições ambientais de umidade e temperatura. Ao finalizar a postura, a fêmea morre.

Após o término da eclosão dos ovos, a larva migra para as extremidades mais altas das folhas da pastagem, em busca do hospedeiro.

As larvas podem esperar por um hospedeiro por até 80 dias. A fase não parasitária finda quando a larva encontra um hospedeiro e se fixa ao mesmo ou morre por não encontrar nenhum.

Em contato com o bovino, a larva busca as regiões mais favoráveis ao seu desenvolvimento como o interior das orelhas, parte posterior das coxas, região perineal, perianal e perivulvar.

Ao se fixar, a larva inicia a alimentação através da linfa. Após sete dias sofre a ecdise (muda) para ninfa e, após mais sete dias, ocorre a diferenciação sexual depois de uma nova ecdise.

Já no estágio adulto, a fêmea começa o repasto sanguíneo, realiza a cópula e cai no solo até estar totalmente ingurgitada.

O ciclo de vida parasitário dura, em média, 21 dias. O macho sobrevive por um período até duas vezes maior que as fêmeas, permanecendo no bovino.

Influência das chuvas no ciclo do carrapato

O clima influencia diretamente no aumento da população e na infestação dos bovinos.

Na região Sul do Brasil, o carrapato-do-boi pode chegar a três gerações ao longo do ano e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste as gerações podem alcançar de quatro a cinco em um ano. O bioma da Caatinga não é favorável para a sobrevivência da fase larval dessa espécie, influenciada diretamente pelas chuvas.

Na maior parte do país, durante os meses secos do ano, de maio a setembro, as larvas dos carrapatos encontram condições desfavoráveis ao desenvolvimento e à sobrevivência, reduzindo a quantidade de carrapato nos animais.

Com a elevação da temperatura e, principalmente, da umidade com o início das chuvas, as condições de sobrevivência e desenvolvimento são favorecidas.

Babesiose e anaplasmose: prejuízos ao rebanho

Por serem vetores de doenças infectocontagiosas, os carrapatos podem transmitir patógenos para o rebanho bovino.

Entre as doenças transmitidas, as duas principais envolvendo a bovinocultura são a babesiose e a anaplasmose, conhecidas como tristeza parasitária bovina (TPB).

Dentre os problemas sanitários, a TPB é um dos maiores causadores de prejuízos na pecuária bovina, provocando altos índices de mortalidade e morbidade, redução na produção de carne e leite, redução na fertilidade e aumento do índice de abortos, além dos custos para o tratamento.

Além da TPB, a febre maculosa e a borreliose bovina, com menor impacto na produção, se tornam relevantes devido ao seu potencial zoonótico.

Controle e prevenção da infestação

A interação de vários fatores como raça do bovino, época do ano, condições ambientais e manejo, torna o controle do carrapato-do-boi complexo.

O número de carrapatos no indivíduo pode variar de acordo com diferentes mecanismos de defesa como a pelagem, resposta imunológica, coloração da pelagem, características da pele e autolimpeza.

A resistência pode variar conforme a raça do bovino. Em animais com maior porcentagem de genes Bos indicus (gado zebuíno), a resistência aumenta, diferentemente de raças europeias.

Uma das formas de controle é a alopática, por meio de medicamentos sistêmicos que são aplicados por meio de injeções que serão metabolizadas e distribuídas pelo corpo do animal, ou medicamentos de contato, por meio de pulverização ou imersão, causando a intoxicação e a morte do carrapato.

Outra forma é o controle estratégico, com o intuito de interferir no ciclo de vida do carrapato, reduzindo o número de parasitas no ambiente. É realizado através da aplicação de produtos alopáticos em épocas em que a temperatura e umidade estão desfavoráveis ao carrapato.

O controle biológico pode ser realizado com os predadores e parasitas do carrapato como fungos e bactérias. O uso de raças mais resistentes e pastagens que dificultam a ovoposição, também são estratégias que podem reduzir a infestação.

Como elucidado no início do material, a ausência de controle pode acarretar prejuízos econômicos, ligados a vários fatores e, em meio a um cenário de margens de produção estreitas, pode ser um diferencial para determinar a lucratividade, ou não, da atividade.

Referências

EMBRAPA. https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/881513/1/doc278.pdf

EMBRAPA. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/194263/1/Carrapatos-na-cadeia-produtiva-de-bovinos.pdf

PETVet. https://petvet.ufra.edu.br/images/cartilhapetvet2014.6.pdf

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