O mercado do sebo bovino, do sabão e do diesel

O sebo é um derivado bovino utilizado na produção de biodiesel e produtos de higiene pessoal e limpeza.

 mercado do sebo bovino

Em tempos mais distantes, nossos avós costumavam juntar o sebo e a gordura com soda para a produção de sabão. Atualmente, na indústria, o refinamento do processo é muito maior, mas a gordura continua sendo a matéria-prima mais importante desses produtos.

A utilização do sebo vai muito além do que a maioria das pessoas imagina. Engloba desde produtos de higiene pessoal e limpeza até a utilização na produção de combustível, como o biodiesel. É possível destacar também as questões ambientais, pelo fato de a indústria frigorífica dar um destino para o produto, além de incrementar sua receita.

O mercado do sebo bovino

Por bovino, a produção de sebo varia conforme o peso e a categoria animal, mas para uma análise simples, consideraremos 15 quilos por bovino. Atualmente, a cotação do produto está em R$ 2,00/kg, o que equivale a uma receita de R$ 30,00 por animal.

O sebo tem um mercado próprio, cujos preços dependem de alguns fatores, como o volume da produção, que, por sua vez, é afetado pelos níveis de abate, além da demanda pelos setores que abastece.

Veja na figura 1 a evolução dos preços do sebo, em valores reais (já descontando o efeito da inflação), no Brasil Central.

Figura 1.
Evolução dos preços reais do sebo no Brasil Central, em R$/kg.

mercado do sebo bovino

Fonte: Scot Consultoria

Leia Também: Do boi se aproveita até o berro

No setor de higiene pessoal e limpeza, há o efeito sazonal, com redução da demanda por esses produtos no período mais frio do ano, o que influencia a demanda também pelo sebo.

Para o biodiesel, questões técnicas dificultam o uso do sebo no período mais frio, o que pesa a favor do óleo de soja. Nesse setor, o óleo de soja é o principal concorrente da gordura bovina. Com isso, a cotação da soja e seus derivados influencia a opção das indústrias por uma ou outra matéria-prima.

A figura 2 mostra a média das participações mensais das matérias-primas na produção de biodiesel em 2018. Observe que a soja (óleo) responde por mais de dois terços da produção de biodiesel, seguida pela gordura bovina ou sebo, com 13,3% na média. No caso da gordura animal, o Brasil possui uma vantagem na utilização no biodiesel, em função do abate de bovinos representativo e da boa disponibilidade desse subproduto.

Figura 2.
Média das participações mensais das matérias-primas na produção de biodiesel em 2018.

mercado do sebo bovino

Fonte: ANP

O óleo de palma/dendê, apesar de sua relevância para a agricultura familiar, principalmente no Nordeste, é pouco expressivo no cenário nacional, com apenas 1,3%.

O item “outros” engloba gorduras de suínos e aves, além de óleo de algodão e demais fontes usadas em menor quantidade.

Destacamos que atualmente usamos o diesel B10 no Brasil e o B11 deve começar a vigorar em setembro/19. E o que é isso? O B10 indica que 10% do diesel usado no Brasil tem que ser biodiesel, assim como 11% no caso do B11. O objetivo é diminuir gradativamente a dependência dos combustíveis fósseis e seus impactos no meio ambiente.

Ou seja, atualmente 10% de todo o diesel usado no Brasil é biodiesel. Deste, 13,3% é produzido a partir de sebo. Isso significa que o biodiesel produzido a partir de sebo representa 1,3% de todo o diesel utilizado no Brasil.

Isso sem contar que, da produção de biodiesel, temos um subproduto importante, a glicerina, usada em diversas indústrias, como farmacêutica, cosmética e de alimentação animal.

Além do biodiesel e setores de higiene e limpeza, que são os principais destinos, o sebo bovino pode ser utilizado na fabricação de ração para monogástricos e também nas indústrias química e farmacêutica. Entretanto, esses segmentos são pouco representativos em termos de precificação do produto no mercado brasileiro.

Conclusão

O sebo é mais um bom exemplo das cadeias abastecidas pela bovinocultura e da própria relação entre os diferentes setores do agronegócio, no caso, a soja.

Em anos de preços do grão em baixa, por exemplo, as cotações do sebo acabam pressionadas pela concorrência na produção de biodiesel, assim como os preços do grão em alta tornam mais atrativo o uso da gordura bovina.

Leia também: Safra de grãos nos EUA e reflexos no mercado brasileiro

Autor: Hyberville Neto – médico-veterinário, msc.

 

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*