O exigente mercado europeu de carne bovina

Para atender à demanda europeia de cortes nobres e carne premium, o Brasil vem realizando investimentos com o objetivo de melhorar o seu rebanho

Foi durante o período de auge da epidemia de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), no início dos anos 1990, que a carne bovina brasileira começou a ganhar a Europa. Enquanto a doença, conhecida como mal da vaca louca e associada à alimentação por ração feita com farinha de carne e ossos de outros ruminantes, espalhava-se por muitos países, o rebanho brasileiro, criado majoritariamente a pasto, estava saudável – e sua carne segura para o consumo humano.

Isso não significa que a relação que se estabeleceu com a União Europeia foi tranquila. Devido à competitividade da carne brasileira frente à europeia, que recebe muitos subsídios para sobreviver, os países criaram barreiras sanitárias e comerciais para proteger o produtor local. Algumas foram superadas, outras permanecem. De uma forma ou de outra, a Europa se mantém como uma grande importadora da proteína bovina brasileira. A seguir, mostramos mais informações sobre esse mercado.

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Qual é o tamanho do mercado?

De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), o Brasil tem exportado em torno de 120 mil toneladas de carne bovina à Europa anualmente, com receitas próximas de US$ 800 milhões. Entre janeiro e agosto de 2020, foram enviadas à Europa Ocidental 63.561 toneladas e ao Leste Europeu, 58.710 toneladas de carne, sendo Reino Unido, Itália e Países Baixos os maiores importadores.

Apesar de significativo, o volume exportado à Europa até agosto foi cerca de 20% inferior ao vendido no mesmo período do ano anterior. Para os técnicos da ABRAFRIGO, isso ocorreu devido à pandemia da COVID-19 e seus desdobramentos. Ainda assim, afirmam, sempre há a possibilidade de reverter esse quadro e de aumentar as exportações de proteína bovina para o mercado europeu, pois o produto brasileiro é mais competitivo do que o de outros países exportadores, já que o rebanho é criado a pasto, o que é mais barato do que alimentar com ração.

Além disso, se o acordo entre o Mercosul e a União Europeia for confirmado, as tarifas aplicadas à parte das exportações brasileiras, que hoje giram em torno de 20%, serão reduzidas a 7,5%, tornando nosso produto ainda mais competitivo. Porém, o pacto está sob ameaça devido ao crescente desmatamento da Amazônia.

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Quais são os cortes comprados?

O mercado europeu é exigente e opta por cortes nobres, como aqueles do quarto traseiro desossado: filé-mignon, contrafilé e alcatra. Eles podem ser refrigerados ou congelados.

Segundo a ABRAFRIGO, isso representa um desafio para o Brasil, já que, com um rebanho composto majoritariamente por animais da raça nelore, o país não é um grande produtor carne premium. Ainda assim, nos últimos anos, uma série de investimentos foi feita com o objetivo de melhorar a qualidade da carne brasileira, como o rejuvenescimento do rebanho e a engorda de animais meio-sangue (meio nelore, meio gado europeu).

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Quais são as certificações exigidas?

O produtor deve ter seu rebanho vinculado ao Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (SISBOV), que visa garantir a sanidade do produto a partir do rastreamento dos animais desde o nascimento até o abate, apontam os técnicos da ABRAFRIGO.

Além disso, os frigoríficos devem ser habilitados para exportação para a União Europeia, o que é feito por técnicos europeus, que visitam as empresas interessadas, vistoriando as instalações e os processos. Uma das exigências sanitárias de grande relevância, dizem os especialistas, é o controle de resíduos e contaminantes. Outra grande preocupação é com o bem-estar animal.

Como se negocia com o mercado?

Para a ABRAFRIGO, a competitividade da proteína bovina brasileira e os investimentos que vêm sendo feitos para aumentar a qualidade do produto garantem uma negociação baseada no preço, o que é uma grande vantagem para os produtores brasileiros.

O que o criador deve saber para criar gado para esse mercado?

Em um momento atípico como o ano de 2020, os profissionais lembram que a pandemia diminuiu substancialmente as demandas por carne bovina brasileira em países como Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, que são mercados importantes. O mercado passou a preferir cortes que são consumidos dentro dos lares, como coxão mole e lagarto, em vez daqueles destinados ao segmento de food service e hotéis.

Depoimento de quem vende para mercado europeu

“Desde a sua fundação, em 2000, a Marfrig exporta produtos de qualidade in natura – resfriados e congelados – e processados para mais de dez países da Europa. A operação de exportação da companhia cumpre todos os protocolos sanitários, bem como atende a locais que, cada vez mais, se preocupam com as questões de sustentabilidade.”

Quer conhecer outro grande mercado da pecuária bovina? Neste texto, contamos mais sobre Hong Kong, o segundo maior importador do Brasil.

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