Pecuária e as pastagens na região Norte do Brasil

A região apresenta condições de clima favoráveis à produção pecuária e o rebanho bovino é o que mais cresce percentualmente.

Dentre as cinco regiões brasileiras, a Norte é a maior delas, representando 45,25% do nosso território. Se fosse um país, seria o 7º maior do mundo em área.

O PIB (Produto Interno Bruto) da região é de R$ 320,8 bilhões e representa 5,4% do PIB nacional (IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As principais atividades econômicas são:

  • Extrativismo mineral,
  • Extrativismo vegetal, 
  • Indústria (Zona Franca de Manaus), 
  • Pecuária, 
  • Agricultura.

Existem inúmeras justificativas para esclarecer esse crescimento: pressão da agricultura na região Centro-Sul brasileira, terras baratas, desenvolvimento regional, mas todo esse movimento não seria consolidado se a região não apresentasse alto potencial produtivo para exploração da atividade pecuária.

Não existe outro lugar no mundo onde se consiga tanta eficiência econômica na produção pecuária. Em boa parte das microrregiões, a posição geográfica e as condições edafoclimáticas são ideais para a produção intensiva a pasto durante o ano inteiro, mas não podemos generalizar.

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A baixa latitude e a proximidade do equador fazem com que a região tenha pequena variação de comprimento de dia, alta incidência solar, médias térmicas anuais altas e temperaturas mínimas raramente abaixo de 16° C (na maioria das regiões não existe frio) e altos índices pluviométricos (características que vão se acentuando conforme a latitude diminui). Todas são condições indispensáveis para o crescimento vegetativo das gramíneas tropicais.

Como exemplo prático dessa situação, seguem os dados climáticos (pluviometria e temperatura) de Oriximiná – PA, município localizado na calha norte do Rio Amazonas, em que um dos limites é o Rio Trombetas (afluente do Rio Amazonas) e o outro extremo faz divisa com as Guianas.

Tabela 1.
Pluviometria de três propriedades assistidas pela ViaVerde no município de Oriximiná – PA, em milímetros.

pastagens na região Norte
Fonte: ViaVerde

Figura 1.
Médias térmicas mensais (máximas e mínimas) no município de Oriximiná – PA.

Fonte: climate-data.org

Quando essas condições são associadas ao bom manejo das pastagens, à adição de insumos corretivos de solo e a nutrientes que estimulam a produção, se torna possível explorar a pecuária de maneira intensiva, com alto rendimento por unidade de área, sustentável e competitiva com outros segmentos da exploração agropecuária.

pastagens na região Norte
Foto 1: Panicum rotacionado, corrigido e adubado. Fonte: ViaVerde
pastagens na região Norte
Foto 2: Panicum rotacionado e com adubação moderada. Fonte: ViaVerde
pastagens na região Norte
Foto 3: Área recém dividida para iniciar manejo em rodízio e sem correção. Fonte: ViaVerde

A juquira, que é a denominação regional para a rebrota da mata nas áreas de produção, é um grande problema que limita a produção e que deve ser combatido com correção do solo, aplicação de herbicidas seletivos e melhoria no manejo das pastagens.

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Hoje existe grande disponibilidade de princípios ativos eficientes para esse controle. Nas fotos abaixo, é possível ver o resultado da ação de herbicidas em áreas de pastagens da região Norte.

pastagens na região Norte
Fotos 4 e 5: Controle da juquira com herbicida em áreas de pastagens da região Norte.

Em tempos de grande e justificada atenção às questões ambientais e à preservação de recursos naturais, essa competitividade que as pastagens da região Norte do país apresentam pode ser uma grande aliada na geração de riqueza, bem-estar social e conservação da floresta.

Apenas para apresentar números que representam e endossam esse potencial produtivo regional, podemos citar exemplos de algumas propriedades que são assistidas pela ViaVerde no Norte do Brasil.

Nessa região, encontramos áreas ainda sem correção de solo e/ou adubação (apenas adotando manejo adequado) mantendo lotações entre 2,5 – 3 UA/ha durante todo o ano. E locais onde ocorreu o incremento de corretivos e fertilizantes (ainda que em dosagens moderadas) associados ao bom manejo com taxas de lotação de 6 – 7 UA/ha (com picos longos de 12 UA/ha) e ganhos de 0,8 a 1,1 kg/cab/dia durante 9 meses do ano.

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Essa situação de alta produção/ha, por um período expressivo do ano, com altos ganhos individuais e baixo custo, permitiu lucros de R$ 3.000,00 a R$ 3.200,00/ha/ano. Resultados muito superiores à grande maioria dos mais eficientes sistemas de exploração pecuária no país e bem acima dos resultados médios nacionais, que estão próximos de R$ 150,00 – R$ 300,00 por hectare.

Isso nos permite dizer que tecnicamente a região Norte é um dos melhores locais do mundo para produzir carne e leite de qualidade a custo baixo e com bons lucros.

Autores: Renato Vianna Peres – Engenheiro Agrônomo; Denis Tostes – Técnico em Agropecuária
ViaVerde Agroconsultoria

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