Por que e como fazer adubação fosfatada em pastagens

Por que adubar o pasto com fósforo?

A resposta curta e direta é: para produzir mais forrageira e ter mais lucro.

É sabido que a maior parte dos solos brasileiros é pobre em fósforo (P). As plantas, inclusive as forrageiras, não produzem bem em ambientes com deficiências minerais. Assim, a adubação fosfatada é necessária para potencializar a intensificação das pastagens.

A falta de fósforo (P) causa sistema radicular mal formado, menor perfilhamento e crescimento pouco vigoroso, contribuindo para a degradação dos pastos e sua renovação mais frequente, além da redução da lotação animal.

A parte aérea das gramíneas tem entre 1 kg e 2,5 kg de fósforo por tonelada de matéria seca (ou 2,3 kg a 5,8 kg de P2O5 – como o P é expresso nos adubos NPK). Isso depende, entre outros fatores, da disponibilidade do nutriente no solo.

Assim, o suprimento adequado de fósforo melhora a qualidade da forragem e a produtividade do rebanho, pois, esse nutriente é essencial tanto para as plantas como para os animais, que precisam dele para construir ossos, dentes e para a manutenção dos processos metabólicos.

Preciso aplicar fósforo na pastagem?

Isso depende da fertilidade de solo. O meio mais simples e eficiente de saber é analisá-lo.

O primeiro passo é dividir os pastos em glebas homogêneas e amostrar cada uma separadamente. Defina as glebas levando em consideração a espécie e idade da forrageira, posição no terreno, cor do solo e histórico de manejo.

Em seguida, em cada gleba, escolha de 10 a 20 pontos aleatoriamente e colete o solo da camada de 0 cm a 20 cm. Misture bem as amostras obtidas em cada um dos pontos para fazer a chamada amostra composta de cada gleba.

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Coloque cerca de 400 g da amostra composta em uma caixa de papelão ou saco plástico e envie para o laboratório.

O resultado irá indicar se você precisa adubar com fósforo e quanto. A ajuda de um engenheiro agrônomo é recomendável.

Mas é bom conhecer um pouco do assunto até para poder dialogar com o agrônomo. Então, veja a tabela 1.

Tabela 1.
Teor de fósforo (P) no solo (método Resina), mg/dm³ e respectiva interpretação.

Fonte: recomendações de adubação para pastagem do IAC.

Se o solo tiver menos do que 7 mg P/dm3, determinado pelo método da Resina, será preciso aplicar doses mais altas de fósforo. Por outro lado, se o solo for rico nesse nutriente (mais de 40 mg P/dm3), por já ter sido adubado com frequência no passado, você não precisa colocar adubo fosfatado.

As doses recomendadas pelo agrônomo poderão ser maiores ou menores do que as da referida tabela, dependendo do tipo de gramínea (Panicum, Elefante, Coast-cross, Tifton são mais exigentes; braquiárias são menos exigentes), do nível de exploração, da lotação animal etc.

Veja, na figura 1, os enormes ganhos de produtividades obtidos pelo Dr. Luciano de A. Correia (dados adaptados do texto de Cantarella et al., de 2002), com pasto de capim Tanzânia (Panicum maximum ou seu novo nome Megathirsus maximus) em solo pobre em fósforo, adubado com diferentes doses de superfosfato triplo e cortado após 70 dias.

Além do efeito imediato, o fertilizante fosfatado apresenta período residual no solo que favorece o vigor da rebrota, proporcionando pastagens de maior longevidade.

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Figura 1.
Produção da matéria seca da forragem, em kg/ha, com a adubação de fosfato.

Fonte: Dados de L.A. Correia (1997) compilados por Cantarella et al., 2002.

Quando o adubo com fósforo deve ser aplicado?

Como o fósforo é pouco móvel no solo e ajuda na formação de um sistema radicular vigoroso, o melhor momento para adubar com esse nutriente é na implantação da pastagem. Porém, se a forrageira não recebeu o adubo na formação ou se for necessário (conforme a análise de solo), o P deve ser empregado também em adubações de manutenção.

Nesse caso, as doses são geralmente menores e o adubo é preferencialmente aplicado a lanço no início do período das chuvas, após o rebaixamento do pasto.

Veja, como sugestão, a tabela 1 e converse com seu agrônomo.

Quais adubos fosfatados usar nos pastos?

Existem vários adubos fosfatados no mercado, mas seu uso eficiente depende de como são empregados.

A grosso modo, há fertilizantes fosfatados de baixa solubilidade (fosfatos naturais, fosfatos naturais parcialmente acidulados, termofosfatos) e fosfatos solúveis (superfosfato simples, superfosfato triplo, DAP e o MAP são os principais).

Na implantação da pastagem, é possível usar fosfatos de menor custo, como os fosfatos naturais e outros fosfatos de baixa solubilidade. Porém, para que funcionem bem, esses adubos devem ser incorporados e misturados com o solo antes da semeadura ou plantio de mudas.

Como são pouco solúveis, são bem menos eficientes para a adubação de pastagens já formadas quando eles têm que ser aplicados a lanço sobre o pasto. Além disso, em plantios realizados em solos muito pobres em fósforo, fontes poucos solúveis nem sempre atendem à demanda inicial das forrageiras mais exigentes.

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Por outro lado, os fosfatos solúveis podem ser usados tanto na implantação como na adubação de manutenção em pastagens formadas. Além do preço, os diferentes fosfatos contêm outros nutrientes de interesse, que influenciam a escolha do fertilizante de melhor custo-benefício. Por exemplo, o superfosfato triplo contém cálcio, o superfosfato simples contém cálcio e enxofre, o DAP e o MAP contêm nitrogênio.

Apliquei fósforo: resolvi o problema de nutrição do meu pasto?

Nem de longe!

Aliás, adubar pasto só com fósforo pode não trazer os resultados desejados, pois o solo pode ter outras limitações, tais como elevada acidez (calagem é necessária) e a deficiência de outros nutrientes.

A análise de terra é fundamental para identificar outras limitações nutricionais e auxiliar na tomada de decisão.

O fósforo constitui a base da adubação da pastagem e, portanto, é o elemento que condiciona os aumentos de produção de forragem com nutrientes exigidos em maiores quantidades pelas plantas, como é o caso do nitrogênio. Mas a formação de um pasto extraordinário começa com uma boa base.

Por isso, o P merece atenção especial.

Autores:

Heitor Cantarella, engenheiro agrônomo (FCA Unesp, Botucatu) com Mestrado e Ph.D. em Fertilidade do Solo pela Iowa State University. É chefe do Centro de Solos e Recursos Ambientais do Instituto Agronômico de Campinas. É um dos editores do Boletim de Recomendações para Fertilizantes e Calagem do Estado de São Paulo e publicou mais de 140 artigos em periódicos. Trabalha com adubação, avaliação da eficiência de uso de fertilizantes e seus impactos na produção e no ambiente. Entre os reconhecimentos profissionais recentes estão os Heróis da Revolução Verde Brasileira (2015), o Prêmio IPNI em Nutrição de Plantas (2016), o Prêmio Norman Borlaug da IFA (2017) e “Lendas da Nutrição de Plantas” (2019).

Fernando Zambrosi, engenheiro agrônomo pela Universidade de São Paulo, possui mestrado em Solos e Nutrição de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e doutorado em Biologia Vegetal pela Unicamp. Atualmente, é pesquisador científico do Instituto Agronômico (IAC).

Lucas Pecci Canisares, engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, possui mestrado em Hidráulica e Saneamento pela EESC-USP e é estudante de doutorado em Agricultura Tropical e Subtropical pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

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