Quanto custa produzir um boi?

Sistema CUSTObov foi desenvolvido pela Embrapa para ajudar no controle financeiro dos negócios da bovinocultura e no planejamento dos pecuaristas de corte

Quanto custa produzir um boi? Quem responde a essa pergunta é o CUSTObov – sistema desenvolvido pelo pesquisador em economia rural Fernando Paim, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Empraba), em 2017.

“Usando o CUSTObov, é possível saber quanto custa a arroba de gado gordo produzida, o bezerro desmamado e qualquer outro produto gerado pela bovinocultura de corte”, afirma Paim, que atuou na Embrapa por quase 40 anos e agora está aposentado.

A ferramenta eletrônica com mais de 19 mil downloads desde sua criação, conforme a Embrapa Gado de Corte, oferece diversas planilhas para controle.

Margens econômicas

Outros números importantes, de acordo com o pesquisador, são aqueles que levam às margens econômicas, apontando as despesas e o lucro. Cada uma dessas margens tem um significado e, segundo Paim, permitem visualizar a situação econômica da atividade em curto, médio e longo prazo.

“O motivo do desenvolvimento do CUSTObov foi a constatação de que grande parte dos pecuaristas de corte não conhece os resultados de seu negócio com a profundidade necessária para uma gestão profissional. Como tomar decisões acertadas sem dispor de números que refletem a realidade econômica da atividade?”, explica.

Vantagens

O pesquisador conta que uma das vantagens do CUSTObov é gerar resultados mesmo que o produtor não tenha um controle sistemático da movimentação financeira. “Se o número exato do gasto com suplemento mineral não estiver disponível, uma aproximação da despesa anual pode ser utilizada. É claro que, quanto mais preciso for esse número, mais precisos serão os resultados”, afirma Paim.

Para o pesquisador, a utilização de gráficos para apresentar os resultados também é um recurso interessante, porque possibilita uma visão rápida e objetiva dos dados constantes nas tabelas.

Ele ressalta que o sistema CUSTObov tem um manual do usuário que contém explicações sobre os principais conceitos usados e procedimentos para registrar os dados. “A leitura cuidadosa e completa do manual é essencial para um melhor uso do aplicativo”, alerta Paim.

Controle de custos

O pesquisador explica que as dificuldades no processo de controlar os custos de produção da bovinocultura envolvem múltiplos fatores. “É uma questão complexa. O primeiro aspecto é cultural e explica as deficiências da área de gestão como um todo”, afirma.

De acordo com Paim, por muito tempo a bovinocultura de corte foi uma atividade “quase extrativista”. Era baseada em muita terra, mas com pouco capital, mão de obra e gestão. Mesmo assim, o baixo custo e a escala, segundo o pesquisador, permitiam ganhos que satisfaziam o produtor. “Então, por que gastar tempo e dinheiro com gestão? Essa realidade mudou, mas mesmo assim persiste, em algum grau, a memória cultural desse tempo”, diz.

Paim também afirma que não se tem uma percepção objetiva de como uma melhor gestão e maior conhecimento dos custos poderiam tornar a atividade mais eficiente e lucrativa.

Além disso, conforme o pesquisador, há falta de preparo e de treinamento para que os pecuaristas entendam e coloquem em prática as ferramentas de gestão – desde o planejamento e organização até a direção e o controle. “Por fim, a grande dificuldade é ter determinação e persistência para registrar sistematicamente (seja em caderno, celular ou computador) toda a movimentação financeira da fazenda. Isso é bastante trabalhoso no início, mas, com o exercício, tende a se automatizar, reduzindo os problemas”, afirma. 

O que compõe o custo?

  1.  Gastos com manutenção (fertilizantes, herbicidas, roçadas)
  2. Arrendamento de pastagem de terceiros
  3. Gastos com manutenção de instalações, benfeitorias, máquinas e equipamentos
  4.  Animais de recria e engorda (a quantidade comprada, o peso médio dos animais e o valor pago por cabeça)
  5. Suplementos (sal mineral, sal proteinado, ração, concentrado)
  6. Produtos veterinários (vacinas, vermífugos, medicamentos)
  7.  Inseminação artificial (insumos e mão de obra)
  8. Serviços técnicos (profissionais de Ciências Agrárias)
  9. Combustíveis
  10. Lubrificantes
  11. Mão de obra
  12.  Impostos e taxas
  13.  Despesas administrativas

Dicas para otimizar os custos        

Os custos que os produtores têm são regionais e, por isso, acabam variando –  explica o veterinário José Maurício Bérgamo, que presta assistência técnica pecuária para uma cooperativa agroindustrial.

Uma dica de Bérgamo para economizar bastante ao longo do ano com combustíveis é aderir ao Transportador Revendedor Retalhista (TRR), que é uma empresa autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a adquirir, em grande quantidade, combustível a granel, óleo lubrificante acabado e graxa envasados para, depois, vender a retalhos.

Bérgamo complementa que várias cooperativas estão entrando no sistema de TRR para conseguir economizar. “Com a entrega no TRR, o produtor rural tem uma bonificação de imposto em cima do óleo diesel. Isso representa aproximadamente 4,5% a menos do que em uma bomba em um posto de combustíveis”, afirma.

Outra recomendação de Bérgamo para que o produtor economize na compra de insumos é o engajamento com cooperativas, principalmente para o pecuarista de pequeno e médio porte. “Esses produtores não conseguem comprar um grande volume de medicamentos ou de vacinas, por exemplo [por causa do custo]. Mas, se comprar de cooperativa, o preço é mais acessível”, pontua.

O profissional ressalta que é preciso mensurar para saber se o investimento valeu a pena. “Quem não mede, não sabe o que está acontecendo”.

Taxa de desfrute

Bérgamo também explica que é importante considerar a taxa de desfrute de cada item, ou seja, a capacidade de um rebanho gerar excedente. Quanto maior a taxa de desfrute, maior é a produção interna do rebanho. “Anotar os índices ajuda muito a ter uma visão geral”, enfatiza.

Bérgamo cita o que deve ser analisado dentro de uma cria, por exemplo. “Qual é a taxa de natalidade? Quantos bezerros nasceram de quantas vacas prenhas? Qual é a taxa de mortalidade? Por que tem bezerro morrendo? O peso dos bezerros é uma taxa importante”.

Ao fazer todos os registros necessários, o produtor consegue avaliar onde está falhando e como pode melhorar as taxas e, consequentemente, a lucratividade.

Confira quais são as planilhas do CUSTObov

Abertura

O preenchimento da planilha de abertura é opcional. Nela, coloca-se o nome da fazenda, o município em que ela fica e o ano analisado.

Dados do rebanho

Digitam-se os números relativos ao rebanho bovino da fazenda, que é subdivido em rebanho de reprodução e rebanho de recria/engorda.

Dados dos recursos

Nessa planilha, são descritos os recursos produtivos usados na bovinocultura de corte. Eles se dividem em grupos: pastagens e capineiras, instalações e benfeitorias, máquinas e equipamentos, reprodutores (touros), matrizes e animais de trabalho.

Dados das despesas

É preciso decidir a inclusão ou não de juros sobre o valor das despesas nessa planilha. Os gastos estão subdivididos entre despesas na compra de animais para recria e engorda e demais despesas.

Dados das receitas

É sobre os produtos e as receitas geradas pelo sistema de produção e também inclui as retiradas do produtor.

Após o preenchimento das planilhas de dados, o CUSTObov apresenta ao usuário as planilhas de relatórios contendo os resultados, as interpretações e também gráficos.

Se você quiser usar o CUSTObov, faça o download gratuito aqui:

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