Boi 777: dividida em três etapas, técnica permite que animal chegue a 21 arrobas e seja abatido até os 24 meses

Conversamos com o pesquisador Flávio Dutra de Resende, que, junto com Gustavo Rezende Siqueira, criou o Boi 777.

O Boi 777 é um conjunto de diretrizes desenvolvido para a produção de um boi gordo, que chegue ao peso de 21 arrobas e seja abatido até os 24 meses de idade. Essas metas foram elaboradas pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Regional Colina da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O blog Pasto Extraordinário conversou com o pesquisador Flávio Dutra de Resende, que, junto com Gustavo Rezende Siqueira, criou a técnica.

De acordo com Resende, dividir o boi em três partes – os três 7 – foi uma estratégia adotada para facilitar o entendimento dos pecuaristas sobre a melhoria da eficiência do sistema de produção a partir das análises geradas na APTA Colina. A instituição desenvolve trabalhos de pesquisas na área de bovinos de corte desde 2002.

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O nascimento da expressão “Boi 777”

“Avaliando as estratégias de suplementação durante a fase de recria, concluí que um bezerro adequado para ganhar peso após a desmama pesava entre 200 e 210 kg, ou seja, sete arrobas; surgiu aí o primeiro 7. Ao utilizar estratégias adequadas de suplementação ao longo do ano, as melhores estratégias de suplementação possibilitaram um ganho total de sete arrobas em até 12 meses de recria. Portanto, surgiu aí o segundo 7. No final da recria, o animal estaria com aproximadamente 20 meses de idade e, ao levá-lo para a fase de terminação, seriam colocadas mais sete arrobas – nesse caso, de carcaça”, explicou.

Resende disse que, com o passar dos anos e com a busca para gerar e transferir tecnologias produzidas pela APTA, os pesquisadores sentiram a necessidade de criar um slogan que representasse as melhores estratégias nutricionais avaliadas.

Por coincidência, segundo Resende, os números foram iguais: “Desmamar um bezerro com sete arrobas entre os sete e oito meses de idade, fazer uma recria em até 12 meses colocando mais sete arrobas e produzir mais sete arrobas ao terminar o animal – totalizando 21 arrobas em até 24 meses de idade”.

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Vantagens do Boi 777 para o pecuarista

Como o Boi 777 estabeleceu metas produtivas, o pecuarista precisa mensurar para saber se os animais estão respondendo ao planejamento. “Na agricultura, o produtor já tem claras na sua cabeça as metas de produtividade. Mas, na pecuária, infelizmente, a grande maioria dos pecuaristas não tem”, afirmou.

Por isso, é necessário alinhar essas metas produtivas com o planejamento financeiro. Dessa maneira, de acordo com Resende, o pecuarista deixa o sistema de produção mais previsível, e os ajustes podem ser realizados ao longo das fases do sistema da produção.

“Outro ponto importante é que o mercado consumidor procura animais cada vez mais jovens. Por exemplo, a China tem como limite a idade de 30 meses para o abate. Além disso, atualmente, já existe até a linguajar popular conhecido como ‘Boi China’, no qual os frigoríficos remuneram melhor a arroba do animal gordo.”

Resende afirmou que sabe-se também que os sistemas de produção que adotam algum tipo de tecnologia possuem melhores margens líquidas – e é nesse ponto que o Boi 777 é inserido. “O mercado disponibiliza uma série de tecnologias para serem usadas ‘dentro da porteira’. O pecuarista, porém, precisa avaliar quais tecnologias são mais adequadas ao seu sistema de produção. Nesse caso, as pesquisas geradas na APTA Colina/SP procuram norteá-los para tomar a decisão mais acertada.”

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Práticas de bem-estar animal

Para Resende, o maior beneficiado do sistema Boi 777 é o animal. “As práticas de suplementação, com o manejo de fornecimento mais frequente no cocho, deixaram os animais mais dóceis”, disse.

O pesquisador ressaltou que o pecuarista passou a perceber que, ao manejar os animais mais adequadamente e adotando práticas de bem-estar – como o fornecimento de sombra e de água de qualidade –, o boi começou a ganhar mais peso e os resultados financeiros da fazenda melhoraram.

O bem-estar animal aliado à nutrição animal fazem parte do processo que garante o sucesso do Boi-777. A intensificação da suplementação, de acordo com o pesquisador, ajuda no ganho de peso e proporciona um melhor bem-estar ao boi, além de agilizar toda a operação.

Inclusive, uma das principais exigências do Boi-777 é o bem-estar animal e nutrição. O pesquisador explicou que a dieta do rebanho deve ser planejada para potencializar o ganho de peso, ou seja, precisa fornecer pasto saudável o ano inteiro e suplementação correta.

Atualmente, o bem-estar dos animais é uma preocupação dos consumidores de carne. Isso significa que, ao aplicar um manejo fundamentado no bem-estar dos bois, é possível garantir uma carne de melhor qualidade e melhores resultados econômicos.

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Conheça as etapas do Boi 777

  • O primeiro 7:

Conforme o pesquisador, o primeiro sete representa a etapa da cria e mostra a importância dos cuidados básicos com o par formado pela vaca e pelo bezerro.

“Já é de conhecimento do pecuarista que a vaca que emprenha mais cedo vai parir um bezerro mais cedo, e esse bezerro, que além de desmamar mais pesado, tem mais capacidade de ganhar peso na recria e na fase de terminação”, disse Resende.

O grande gargalo observado, de acordo com Resende, é que, de forma geral, quando o pecuarista não cuida da vaca, o escore corporal do animal ao parir é baixo, dificultando que emprenhe na estação de monta seguinte. Dessa maneira, o próximo bezerro nasce mais tarde, na outra época de nascimento.

“Com isso, o problema se perpetua: bezerros sendo desmamados mais leves e com menor potencial de desenvolvimento após o desmame, mesmo com genética adequada”, afirmou.

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  • O segundo 7:

Esta fase, de acordo com Resende, representa recria e, ao estabelecer uma meta dentro de um prazo estabelecido (7 arrobas em 12 meses), passa a obrigar o pecuarista a medir o desempenho dos animais nas diferentes épocas do ano.

“Produzir 7 arrobas em 12 meses necessita de um ganho médio diário de 0,575 kg por dia. No período das águas, normalmente, esse desempenho é facilmente atingido. Porém, no período seco, o que se observa são ganhos nulos ou até perda de peso. Isso traz consequências desastrosas para o sistema de produção, principalmente a partir do momento que o custo da reposição ficou mais caro, ou seja, com ágio em relação à arroba do boi gordo”, explicou o pesquisador.

  • O terceiro 7:

O terceiro 7 representa a fase de terminação, ainda segundo Resende. “Estamos falando em colocar sete arrobas de carcaça, isto é, 105 quilos.  Em um confinamento, com duração de 105 dias, seria um ganho médio diário de carcaça de 1 kg. Tais ganhos, atualmente, necessitam ser maiores do que esse, devido ao aumento do custo de produção”, disse. Para isso acontecer, o pesquisador disse que os investimentos precisam começar na gestação – exatamente o que o conceito do Boi 777 demonstra na prática.

Já conhecia essa técnica? Faz sentido adotá-la na sua propriedade? Conte pra gente!

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