É possível intensificar a produção de carne com foco na pecuária sustentável?

Pecuarista mostra como conseguiu transformar sua propriedade em um exemplo a ser seguido

À frente da Fazenda Primavera, em Santo Antônio do Aracanguá (SP), e da Fazenda Santa Rosa, em Altair (SP), o pecuarista e administrador de empresas Victor Campanelli tem feito do grupo Agro-Pastoril Paschoal Campanelli um exemplo na intensificação da produção de carne de maneira sustentável. Para ele, o segredo está na adoção de boas práticas, racionais e necessárias: “Um produtor eficiente trabalha de forma sustentável porque esse é o jeito certo de produzir”, acredita ele.

A Fazenda Santa Rosa, onde funciona um confinamento, abate entre 1,5 mil e 2 mil cabeças de gado por semana. “É uma engrenagem que não para de rodar”, afirma Campanelli. Em 2021, segundo o pecuarista, o grupo vai abater aproximadamente 90 mil bois. Em entrevista ao blog Pasto Extraordinário, ele falou sobre modelos de pecuária sustentável e bem-estar animal.

Na Fazenda Primavera, não há abate. Os bois que ficam ali – no pasto – servem para abastecer uma parte do confinamento, já que 100% dos animais são comprados, independentemente da finalidade, seja para recria ou confinamento. Dessa maneira, o grupo consegue fazer uma espécie de estoque de animais e administrar a compra, quando a arroba está mais cara, sem deixar de abastecer o confinamento.

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Economia circular

Campanelli afirmou que a pecuária brasileira tem multimodelos sustentáveis: “Desde áreas em que você consegue fazer uma integração de lavoura, pecuária e floresta, e modelos como o nosso, em que a gente consegue intensificar, produzir mais com menos e fazer uma economia circular”.

De acordo com Campanelli, a pecuária brasileira tem multimodelos sustentáveis.

Segundo o pecuarista, é justamente a economia circular que torna a pecuária sustentável na Agro-Pastoril. Ele explicou que, ao integrar a agricultura e a pecuária intensiva em confinamento, a agricultura gera alimento para a pecuária e a pecuária produz comida para a agricultura. Isso é possível, de acordo com Campanelli, porque a propriedade desenvolve um adubo orgânico de excelente qualidade e que é a matriz nutricional na agricultura da empresa.

“O conceito de sustentabilidade vai muito além de produção sustentável. É fazer mais com menos, fazer um mais um virar três”, disse.

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Bem-estar animal

Para Campanelli, o bem-estar animal faz parte da necessidade de produtividade. Afinal, se o boi está bem, ele come mais, ganha mais peso e traz mais retorno ao pecuarista. “O bem-estar animal faz parte do negócio”, afirmou.

Ele contou ao Pasto Extraordinário que existe uma área dentro do grupo Agro-Pastoril da qual se orgulha muito. É o maior confinamento experimental da América Latina, que comporta 1,8 mil bois. O espaço é usado exclusivamente para pesquisa e desenvolvimento. “Temos uma equipe de doutores que gerencia esse confinamento”, relatou.

No primeiro experimento feito no local, foi verificado qual é o efeito da sombra no bem-estar do animal. “A gente descobriu, em uma pesquisa inédita, que houve um aumento no ganho de peso, na ordem de seis quilos de carcaça, e uma redução do consumo de água na ordem de 7 litros por dia. Ou seja, o boi teve um ambiente muito mais confortável, precisou beber menos água, tendo menos estresse térmico. Esse é um dos modelos para produzir mais com menos”, afirmou.

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Integração da lavoura com pecuária

Campanelli definiu a conexão da lavoura com a pecuária como a força motora da pecuária no Brasil, principalmente da intensivista.

“Eu acredito que grupos como o nosso, com musculatura e tamanho, não têm outro jeito de produzir boi. É preciso estar integrado com a agricultura, e a soma deles é maior do que se eles fossem separados. É o que transforma e está fazendo a nossa pecuária ser muito produtiva, eficiente e competitiva”, afirmou.

De acordo com o pecuarista, esse modelo estará cada vez mais presente nos modelos de sucesso.

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Unidades de negócio

No pasto, o grupo tem uma quantidade menor de animais por área, pois a principal fonte de alimento é o capim e, dependendo da época do ano, os animais podem receber algum tipo de suplementação.

Por outro lado, mais animais são colocados em uma área menor de confinamento, e o alimento é fornecido diretamente do cocho – sendo balanceada de acordo com as etapas, que são de adaptação, crescimento e terminação. Desse modo, o tempo de abate dos animais é reduzido.

O confinamento da Agro-Pastoril está entre os mais tecnificados do país. O produto final do confinamento é um boi jovem, com menos de 30 meses e que pesa cerca de 20 arrobas. Metade do gado é comprada por Campanelli com 9 arrobas. Mas, antes de entrar no confinamento, passa por um período de quatro meses de recria em outra fazenda do grupo, que fica em Araçatuba (SP).

O período de recria intensiva funciona como um pré-confinamento: acelera a adaptação e o período de engorda em cocho. São cerca de 50 dias de pré-confinamento e 90 dias em cocho. Já a parte dos animais que chega mais pesada, com 12 arrobas, vai direto para a engorda.

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O grupo Agro-Pastoril

O administrador de empresas faz parte da terceira geração da família. O avô dele, um imigrante italiano, chegou ao Brasil e começou a trabalhar na produção de café. Hoje, a quarta geração da família já está atuando dentro da Agro-Pastoril.

“Nossa família tem uma história muito bonita com a agricultura e a pecuária. Atualmente, o nosso negócio é pecuária, cana-de-açúcar, grãos e nutrição animal. É uma história de muito trabalho, muita união. A família é a força da nossa empresa”, afirmou.

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Gostou da reportagem? Aproveite e confira o material especial que fizemos para o Dia do Pecuarista mostrando o impacto da agropecuária no PIB no Brasil: https://pastoextraordinario.com.br/dia-do-pecuarista-produtores-falam-sobre-orgulho-da-profissao/

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