Fedegoso-branco: identificação e controle nas pastagens

A planta daninha ocorre em boa parte do país, em lavouras anuais e perenes e nas pastagens.

Dando sequência à série de artigos sobre as principais plantas daninhas em pastagens no Brasil, falaremos sobre o fedegoso-branco.

A planta faz parte do gênero Senna e a espécie em questão é a Senna obtusifolia. Destacamos que as “Sennas” incluem outras espécies daninhas às pastagens, como a S. occidentalis, S. pendula, S. pilifera, entre outras, que não serão detalhadas neste texto.

O fedegoso-branco (S. obtusifolia) é popularmente conhecido como fedegoso, vagem-foice ou mata-pasto “liso”.

A planta possui crescimento subarbustivo, ou seja, não há um único fuste (haste), mas vários saindo do solo. Possui sistema radicular perene, mas com a parte aérea se renovando anualmente.

A planta daninha se desenvolve por todo o país em lavouras anuais e perenes e nas pastagens.

A propagação do fedegoso-branco se dá somente por meio de sementes, dessa forma, para o seu controle, é fundamental evitar que as sementes sejam produzidas e dispersas no ambiente, no caso, a pastagem ou as lavouras.

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Nas regiões semiáridas, como, por exemplo, o Nordeste ou o norte de Minas Gerais, a planta daninha surge já com as primeiras chuvas.

O fedegoso-branco também é hospedeiro de alguns insetos, tais como a mosca-branca (Bemisia tabaci), o fungo Alternaria alternata, que causa a mancha marrom dealternária, e ácaros do gênero Brevipalpus, o que reforça a necessidade de seu controle nas áreas de produção.

Como identificar

A S. obtusifolia (fedegoso-branco) é caracterizada por ser uma leguminosa subarbustiva, perene e ereta, medindo entre 70 e 160 cm de altura, podendo ultrapassar o 2 metros, dependendo das condições do meio em que está se desenvolvendo.

É possível identificá-la por suas características morfológicas, tais como o caule verde, bastante ramificado, com folhas alternadas e helicoidais.

As folhas apresentam bainha e pulvino (espessamento em forma de junta) bem desenvolvidos na base da raque, com três pares de folíolos, membranáceos, opostos e com curtos peciólulos.

As flores são pedunculadas, o cálice possui cinco sépalas livres e a corola, igualmente, cinco pétalas livres, desiguais e de coloração amarela, que protegem o androceu (conjunto dos órgãos masculinos da flor, os estames), com estames livres e o gineceu (conjunto de órgãos reprodutores femininos de uma flor) unicarpelar com ovário longo e verde. Veja a figura 1.

Figura 1.
Características morfológicas da Senna obtusifolia (fedegoso-branco).

Fonte: H.S. Irwin & Barneby.

O fruto é do tipo legume deiscente (que se abre), cilíndrico e encurvado, contendo inúmeras sementes esverdeadas ou acastanhadas. As vagens são compridas e finas, com 10 cm a 12 cm de comprimento.

Figura 2.
Características morfológicas da Senna obtusifolia (fedegoso-branco).

Fonte: Agrobase.

Essa espécie diferencia-se das demais por apresentar a folha composta penada, cujos folíolos possuem o ápice em ângulo arredondado ou obtuso. Com relação à vagem, como citado, no fedegoso-branco, ela é mais encurvada em relação a S. occidentalis (fedegoso), que é mais linear (figura 3).

Figura 3.
Características morfológicas de outras plantas do gênero Senna.

Fonte: H.S. Irwin & Barneby.

Prejuízos às pastagens e aos animais

O principal impacto da planta daninha nas pastagens é a concorrência com o capim por espaço, nutrientes e luz, o que afeta diretamente a produtividade e, consequentemente, a produção de massa verde e, com isso, há uma redução da capacidade de suporte do pasto em termos de lotação animal (quantidade de bovinos por área).

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O resultado é a diminuição do desempenho animal, como o ganho de peso e a produção de leite), tanto pela menor qualidade de forragem como pela menor quantidade de massa verde produzida.

Por ser de porte arbustivo, nas áreas de infestação, fica difícil para os animais colherem a forragem que está sob a planta daninha, gerando perdas de forragem.

Além dos prejuízos às pastagens, algumas plantas do gênero Senna, incluindo a S. obtusifolia (fedegoso-branco) e a S. occidentalis (fedegoso), podem causar intoxicação aos animais, quando ingeridas. Normalmente, são mais problemáticas em épocas de secas, pois começa a ter escassez de pasto e o gado pode ingerir essas plantas para se alimentar.

Não são comuns os casos de intoxicação do animal pela planta, mas, nos últimos anos, foi relatado aumento nos casos, em especial no Mato Grosso do Sul. A intoxicação por fedegoso-branco (S. obtusifolia) também foi descrita em bovinos no Brasil, nos estados de Santa Catarina e do Paraná.

A planta é considerada pouco palatável e o primeiro surto da intoxicação, ocorrido em duas propriedades, foi devido à ingestão de folhas e vagens verdes pelos bovinos em pastejo (Froehlich, 2010). O segundo surto foi relatado em bovinos confinados, que também ingeriram folhas e vagens da planta tóxica (Queiroz et al., 2012).

Controle do fedegoso-branco

O controle pode ser feito por meio da roçagem, usando-se roçadeiras mecânicas ou roçagem manual, com foices ou facões.

No entanto, em alguns casos, a roçagem por si só pode não ser um método eficaz de controle, já que elimina somente a parte aérea da planta, fazendo com que as raízes fiquem ainda mais vigorosas.

Nesse caso, o controle químico é fundamental. Como opção para o controle dessa planta daninha em pastagens, o pecuarista pode desfrutar da eficiência da Tecnologia Ultra-S, a nova tecnologia para herbicidas da Linha Pastagem, da Corteva Agriscience. A solução é indicada para o controle das plantas daninhas anuais, bianuais e herbáceas. Entre elas, estão a cheirosa, a guanxuma e o já abordado fedegoso-branco. Os produtos da linha Ultra-S ainda apresentam a vantagem de serem mais concentrados, rendendo mais por hectare tratado com cada litro de produto do que os demais herbicidas do mercado. Tal fato gera economia de embalagens e traz benefícios sustentáveis para a pecuária brasileira.  

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Com isso, conclui-se que o controle integrado de plantas invasoras consiste na combinação de diferentes métodos (roçagem mecânica/manual e controle químico), de forma integrada, permitindo a redução das invasoras na pastagem. A escolha dos métodos a serem utilizados depende do nível de infestação e da disponibilidade local de equipamentos, materiais e pessoal.

Equipe Scot Consultoria

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